Periscópio: Questões de Educação

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1 – Causou grande alarme, aumentado pelos jornais e televisões, a notícia de uma família, do Algarve, que acorrentou um filho, com problemas de comportamento, e motivou a intervenção de várias autoridades para devolver o rapaz à liberdade.

Devo dizer, antes de mais, que sou naturalmente contra todo o tipo de violência, seja ela qual for.

Mais devo acrescentar que nunca precisei de proceder de tal modo em relação aos meus filhos. Nem nunca necessitei de exercer sobre eles qualquer tipo de violência. Talvez por isso, por um lado, nãos saiba o que é ter um filho de comportamento desadequado e, por outro, não esteja muito habilitado a pronunciar-me sobre o assunto.

Contudo, nada me inibe de dar a minha opinião e dizer que acho estranha a extraordinária interferência do Estado e vizinhança na forma como certos pais tentam conter comportamentos menos próprios dos filhos.

Se há pais que espancam os filhos por tudo e por nada e muitas vezes sem terem razões para isso, também os há que, infelizmente têm de recorrer a métodos mais assertivos para conterem os ímpetos destruidores dos filhotes.

Mas não consigo encaixar que vizinhos, amigos e principalmente o Estado se intrometa, a torto e a direito, na vida das famílias, quando muitas vezes é esse mesmo Estado o principal responsável pelos comportamentos que muitos jovens adoptam em relação aos pais e à educação que estes tentam ministrar-lhes, embora nem sempre com sucesso.

Ainda recentemente, em Vila Real, também, viu-se o Estado interferir de forma anormal no funcionamento de uma família, que teve de actuar de forma mais dura em relação a um membro dessa família. Não sabemos tudo o que se passou. É verdade. Mas a também não é menos verdade que os pais procuram o melhor para os seus filhos e têm por vezes de tomar atitudes que só tratamentos  de choque conseguem os objectivos que esses pais querem atingir.

Mas o Estado, que em regra não cumpre os seus deveres, nesses casos, quantas vezes entra em acção apenas para os responsáveis dessas diferentes instituições mostrarem serviço e justificarem os lugares que ocupam. E estamos a falar das forças da ordem, PSP e GNR, Comissões de Proteção de Menores, Segurança Social, APAV, Ministério Público, Juízes.

É claro que, em jeito de conclusão o que podemos dizer é que essa interferência do Estado pode representar uma boa forma desses pais se verem livres do filhos e das suas atitudes parvas e muitas vezes geradoras de problemas gravíssimos, entregando-os a esse mesmo Estado, tão zeloso em certos aspectos e noutros tão perdulário e displicente. Pois fique o Estado e essas instituições com os meninos mal comportados e que os eduque da forma que entender. É o que apetece dizer e fazer.

2 – É minha opinião que o Governo até pode ter razão nas medidas que quer tomar em relação ao ensino ministrado nos colégios e outras escolas privadas que têm vindo a colaborar com o Estado, disponibilizando as suas instalações para colaborar na educação das nossas crianças e jovens. Pode não ter razão em tudo, mas de facto só se justifica que exista ensino privado pago, onde não houver disponibilidade das escolas públicas. Mas vir um tal Mário Nogueira, que devia regressar à sua escola de origem, para se reciclar, dizer, com toda a sobranceria que costuma evidenciar, que a organização sindical que dirige há vinte e tal anos intentará processo judiciais contra as escolas que despedirem professores é de uma desfaçatez e falta de vergonha incríveis. Então as escolas privadas ficam sem turmas para ocuparem os professores e têm de os manter ao seu serviço sem terem que lhes dar que fazer e não os podem despedir?  Ele que mande lá na sua quinta, mas não queira mandar na casa dos outros.

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