Periscópio: O povo é ingrato, Marcelo

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Os elogios a Marcelo têm estado suspensos. Também as críticas têm andado arredadas das bocas dos comentadores. As coisas estão a ficar pretas e o oportunismo barato e saloio prefere esperar para ver onde isto vai dar nos próximos tempos.
Também Marcelo tem abrandado o ritmo das suas aparições públicas. Até há pouco tempo as suas investidas – prefiro este termo a visitas – rondavam as três a quatro por dia. Ele entrava pela porta dentro de tudo quanto é Centro de Dia, Lar, empresa, associação recreativa, manifestação de solidariedade. Acalmou. Pelos vistos, ou já se cansou ou chegou à conclusão que, de vez em quando, parar para reflectir é necessário. Mais do que necessário, é bom para ele e principalmente para o país e os seus habitantes, que têm de arrostar com as consequências de quem faz as coisas sem pensar ou por pensar mal, só arranja problemas que todos temos de resolver. Os encrenqueiros põem-se ao fresco, com os bolsos cheios. E nós é que ficamos com as batatas quentes, como se tem visto.
A verdade é que ainda não há muito tempo, alguns comentadores ditos “Fazedores” de opinião, iam tecendo loas exageradas aos comportamentos afectuosos e às tiradas irreflectidas ou grandiloquentes de Marcelo.
Houve até quem escrevesse que Marcelo com essas atitudes estava a ganhar capital de simpatia para na hora da verdade, isto é, quando tiver de tomar posições sérias sobre o futuro do país e de nós todos, o povo iria compreendê-lo e desculpá-lo. Ou seja, com Marcelo em alta, com grande capital de afecto e sondagens a dar-lhe conforto, ele aguantaria as reacções de quem não concordasse com ele.
Duvido que assim venha a ser, se vier a acontecer, ou seja que Marcelo tenha de tomar alguma medida menos simpática e que desagrade a uma vasta percentagem da população portuguesa e nomeadamente os seu eleitores e aqueles que entretanto aprenderam a gostar das suas atitudes irrequietas, espontâneas e quotidianas.
O que me parece é que estão enganados quantos pensam e dizem que, apenas por Marcelo estar agora a ganhar uma enorme simpatia junto dos portugueses, este lhe vão perdoar ou não o criticarão, quando e se ele tiver de tomar alguma ou algumas atitudes por causa das dificuldades que Portugal está a sofrer.
Não espere Marcelo, nem quem o louva agora por andar continuamente em passeios, em visitas, aos beijos a novas e velhas, aos abraços à esquerda e à direita, que o povo lhe desculpe as consequências das decisões que ele terá de tomar.
De um momento para o outro lá se vai a popularidade, o afecto, os beijos, os abraços, as atitudes simpáticas e as chalaças, as declarações mal-pensadas e as atitudes que tem tido em relação a alguns assuntos e que até irão muito para além daquilo que lhe compete como Presidente da República. A ligeireza como por vezes fala e age irá cair-lhe em cima.
Veremos quem tem razão.
1- No meio deste panorama nacional, eis que Trump manda na América e vai fazendo aquilo que, à primeira vista, lhe dá na real gana, como se costuma dizer. Bem! Tudo, tudo, não! A democracia na América tem mais condicionantes do que aqui, entre nós. E para isso lá estão os tribunais.
Contudo, o que os tribunais, pelo menos para já, não conseguiram travar foi o despudor com que o pai Trump governa e a falta de vergonha de um elemento da sua família que, em plena Casa Branca, se compraz em fazer publicidade a uma marca de roupa.
Isto só mesmo na América actual.
Vamos ver o que nos reservam os próximos episódios da pitoresca e lamentável novela em que as família Trump constitui o principal elenco.

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