Periscópio: Mas a imbecilidade tem limites

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Antes do golpe de 25 de Abril de 1974, a lei portuguesa considerava como filhos de pai incógnito todos os cidadãos que não tivessem no registo de nascimento o nome do pai. Normalmente, tratava-se de pessoas filhas de mães solteiras, cujos rebentos não tinham sido perfilhados, nem lhes tinha sido atribuída a paternidade, por ausência de provas sobre a identidade do progenitor. Era por isso uma vergonha para as famílias terem algum parente que assim fosse considerado: filho de pai incógnito. Mas popularmente, eram chamados com uma expressão mais vernácula e muito usada, designadamente nos jogos de futebol. Sem culpa, infelizmente.

Há uns anos atrás, por se considerar que essa situação era uma descriminação, uma ofensa para as pessoas, por decreto, deixou de haver filhos de pai incógnito. Isso não quer dizer que não continuem a nascer crianças filhas de mães solteiras e algumas filhas de progenitores casados.

Em si tal facto não tem qualquer problema. Por outro lado, também existe uma maior consciência das responsabilidades de quem procria fora do casamento. Isto para além de a sociedade também ter passado a aceitar com maior tolerância essas situações.

Tudo isto se alterou e ainda bem. Porque quem nasce fora do casamento não tem culpa de tal facto.

Tanto mais que agora já nem é necessário as pessoas casarem, como era obrigatório antigamente. Aceitamos perfeitamente que duas pessoas de sexos diferentes se juntem e vivem como casados.

E até se permite que duas pessoas do mesmo sexo possam viver juntas e civilmente casadas.

Vem esta charla a propósito do cartaz que o inefável e irresponsável Bloco de Esquerda resolveu pôr cá fora na semana passada. Nele se lê que Jesus Cristo também tinha dois pais. Não sei o que saberão os autores da estúpida proeza sobre religião. Provavelmente não saberão nada. Ignorância pura. Mas sabem que o que ali está escrito e a ideia que tentam fazer passar é estupidamente ofensiva para a maioria dos portugueses e de um modo especial para os cristãos. Gratuitamente ofensivo.

Parece, contudo, que certas pessoas pensam que tudo lhes fica bem ou que podem dizer e escrever e pintar o que lhes apetece.

Mas não é assim.

Seja do Bloco, seja de que partido for, ninguém tem o direito de ofender os meus sentimentos religiosos apenas por ofender, sem qualquer graça, ainda por cima. Foi mesmo para ofender. Desnecessariamente. E fazem-no, porque sabem que a nossa índole e o respeito pelas pessoas são muito diferentes dos que atacaram o Charlie Hebdo em Paris. Caso contrário não se atreveriam a tanto.

E eu até me atrevo a perguntar se os copinhos de leite e as meninas engraçadinhas do Bloco não têm pai. Se são filhos de pai incógnito.

E se eu aqui escrevesse que essa gente não tem pai? Que são filhos e filhas de pai incógnito? Será que gostariam? Ou caíam-me logo em cima?

Mas se a gente do Bloco pode dizer que Jesus Cristo tinhas dois pais, porque razão eu não hei-de poder dizer que há gente no Bloco que não tem pai?

Não o faço porque sei até onde posso ir e tenho respeito pelas pessoas e por mim próprio.

Este extremismo na linguagem e nos actos diz bem da qualidade das pessoas que neste momento nos governam. É com esta gentalha que o PS se sente bem, pelos vistos. Bom proveito!

Vieram dizer que foi um erro. Não foi nada. Quiseram pisar e repisar os que são contra a adopção por homossexuais. Quiseram e disseram-no, também desta forma. Por uma espécie de vingança, para fazer pirraça. É o BE no seu melhor nível, o da imbecilidade, própria de juventude malcriada e arrogante.

Perdoemos-lhe, porque, segundo a nossa lei, a nossa misericórdia é infinita e, para a lei civil, a imbecilidade é inimputável.

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