Periscópio: Espaço Público

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1 – Lixo e desleixo
Quem não gosta de ver uma cidade limpa, asseada e bem organizada? Vila Real gosta de se apresentar como uma cidade onde dá gosto viver. E eu gosto de viver aqui. Mas há situações que não se justifica que existam, tendo em consideração aquele desejo e orgulho de cidade organizada.
É com tristeza que se vê por toda a cidade, e também nas freguesias rurais, todo o tipo de objectos abandonados, quer no espaço público, quer em terrenos privados, em locais onde a visibilidade é notória.
Tudo isto cria uma sensação de miséria e desleixo inqualificáveis. Os responsáveis autárquicos merecem todo o nosso respeito, pois se candidataram e assumiram um papel muitas vezes ingrato. Mas ninguém foi obrigado a candidatar-se a estes lugares. Logo, quem os ocupa deve cumprir o que prometeu e interessar-se pela bem-estar dos seus concidadãos, sob pena de se pensar que ser eleito é uma honra e não um serviço. E não é isso que queremos dos nossos autarcas.
Dando uma volta pela cidade, deparamos com objectos fora de uso, a destoar de jardins bonitos, enfeitados com flores caríssimas e em quantidades enormes. Melhor seria que o espaço público fosse cuidado e todos se preocupassem em manter esses espaços arranjados e limpos. Isto por causa de quem nos visita e muito mais por quem cá vive, e todos os dias se vê confrontado com estas situações.
Por exemplo, porque não obrigar os particulares a manter os seus lotes, onde deviam existir casas, mas apenas existe lixo e electrodomésticos e móveis abandonados?
E que fazem farranchos, placardes abandonados, sem uso, em muitos locais da cidade? Esses terrenos têm dono. Os farranchos donos têm. Então porque não exigir que esses espaços estejam limpos e que os farranchos sejam retirados se não são usados. Talvez aguardem por cartazes eleitorais, mas isso é outra história.
2 – Rui Santos.
O autarca socialista de Vila Real merece uma palavra de reconhecimento pela atitude que tomou contra a posição do Governo do seu partido, na questão da distribuição das verbas dos fundos comunitários, feitas à revelia dos demais autarcas da região norte.
Nos tempos que correm não é fácil ir contra a corrente. E o autarca socialista é até o presidente dos autarcas socialistas a nível nacional. Mas Rui Satos, já noutras alturas, tomou idênticas posições, facto que eu registo com agrado e que entendo aqui enaltecer.
É claro que Rui Santos também é interessado no assunto. Quanto menos dinheiro for para o Porto e mais dois ou três concelhos da Àrea Metropolitana, mais pode receber Vila Real. Mas ficou-lhe bem ter defendido as regras antes estabelecidas e manifestar opinião contra a atitude do ministro do Planeamento, que negociou, às escondias dos autarcas, verbas para o Porto e outras Câmaras, contra o acordado entre todos os autarcas da região norte.
Pode não valer de nada, mas fica a atitude. E, por vezes, isso é muito importante. O Ministro demitiu o Presidente da CCDRN, por este se recusar a aceitar tal negociação, e não ter por isso colocado, preto no branco, no contrato, verbas que deviam ser distribuídas por todos. O Ministro até pode levar a sua avante, mas Rui Santos pode sempre dizer que tentou defender o seu município e os demais que se sentiram prejudicados. Apoiado.

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