Periscópio: Emprenhar pelos ouvidos

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1 – PSD: um bando de caladinhos. O fecho dos tribunais ordenado pela anterior ministra da justiça não mereceu um comunicado contra dos políticos e dirigentes distritais do PSD de Vila Real. Ficaram nas covas. Ou a reforma estava errada ou então deveriam agora ter vindo defender a ministra, que, ao que se sabe, ainda é deputada. Mas nem um apalavra. Uma vergonha que diz bem sobre os caminhos por onde anda o PSD de Vila Real. O assunto é melindroso? Estão em questão os votos nas próximas autárquicas? Não sabem o que fazer? Pois, façam como diz o povo: peguem o touro pelos cornos.

2 – Emprenhar pelos ouvidos. É! Em Lisboa, e não só, emprenha-se pelos ouvidos, como também, neste caso, costuma dizer o povo, quando alguém toma decisões ou fala com base naquilo que outros lhe dizem para fazer. E foi isso, a meu ver, o que se passou com a actual ministra da Justiça. A extrema-esquerda exigiu, o Primeiro disse para fazer. Os autarcas socialistas e não só, fizeram barulho. A anterior bastonária da Ordem dos Advogados esteve e está do lado deles. Então reabram-se os tribunais. Perdão, ponha-se lá um porteiro para fingir que se reabriram os tribunais e o pessoal fica calado e feliz. Cumpriu-se a promessa. Pronto!

3 – Os autarcas passam a vida dizer que não têm dinheiro para nada. Que não chegam a todo o lado. E isso até pode ser verdade. Para alguns, pelo menos. Pode, mas nem sempre assim acontece, como se vê. E não há dúvida que o que falta aos autarcas é um mínimo de discernimento para em cada momento saberem o que é prioritário. Agora fazerem de nós mentecaptos é que não vale. Isso podem ser alguns deles, quando tentam atirar areia para os olhos das pessoas, com exigências e medidas que em nada contribuem para a melhoria da vida dos habitantes dos seus concelhos. E o Governo alinha nisso para os manter calados e dar uma festa a nível nacional. E para isso há dinheiro. A festa continua.

Vejamos o que se passa com a dita reabertura dos tribunais em Boticas, Sabrosa, Murça e Mesão Frio. Quanto dinheiro custou esta colocação de porteiros nas instalações onde eventualmente se irão realizar alguns julgamentos, talvez uma vez por mês? Alguém fez as contas? Quantos são os beneficiados? Dois: os funcionários que lá colocarem.

4 – Alguns meios de comunicação nacionais, sem questionar a medida atrás referida, fartaram-se de propalar, na linha de pensamento único dos autarcas e da ministra, que se pretende combater a desertificação. Como? Agora? Com que armas?

5 – Natalidade. Os meios de comunicação social fartam-se de divulgar os apoios directos aos casais que têm filhos residentes em muitos dos concelhos do interior. Por cá, na nossa região, também em vários concelhos, as Câmaras atribuem chorudos subsídios à natalidade. Isto acontece há vários anos. E não consta que a população desses concelhos tenha vindo a aumentar ou que a desertificação tenha parado. Logo temos de concluir que algo está errado. À primeira vista estes apoios deveriam contribuir para a fixação de população nesses concelhos. Mas nada disto acontece e todos os dias ouvimos falar na desertificação do interior. Logo a medida mais parece apenas ser uma forma de muitos autarcas darem nas vistas principalmente em anos de eleições, pois é bonito, fica bem dizer, publicitar que este ou aquele presidente de Câmara se preocupa com a desertificação do seu concelho. Mas a coisa parece que não vai lá com apoios deste género. O que conta, verdadeiramente, são os votos. Ou não?

É sabido que as pessoas se fixam onde encontram trabalho. Daí que me pareça que os caminhos terão de ser outros. Destes tenho para mim que as centenas de milhares de euros que são distribuídos por esses autarcas seriam melhor empregues se os apoios fossem dados a quem se dedicasse a explorar ou tirar proveito dos recursos endógenos existentes em cada região. E a agro-pecuária constitui sem dúvida alguma uma área a explorar e a incentivar. Assim como o turismo em espaço rural. E criar empresas ou cooperativas de recolha e revenda de produtos da terra. Se um casal tiver a certeza que recebe por ano determinado montante de apoio à actividade agrícola ou pecuária que desenvolve, comprovadamente, com certeza que se disporá a fixar-se me determinada local e todos beneficiarão com esses apoios. Agora dar dinheiro a quem nem sequer o sabe gastar… Dinheiro que o mais certo é ir parar logo, direitinho, às mãos do Belmiro, do Soares dos Santos ou outro qualquer tubarão dos supermercados, em compras de coisas quantas vezes inúteis …

6 – Há quanto tempo se fala nestes problemas? Para que serviram as conclusões desses debates? As fábricas continuaram a ser construídas no litoral. Aí há emprego. O que temos nas nossas zonas industriais do interior? Armazéns de produtos que vêm do estrangeiro e do litoral.

7 – Por último. Apoio a sugestão de alguém que defendeu recentemente que o minério de Moncorvo deve ser tratado na região e vendido depois de introduzida alguma mais-valia. A quem serve enviar milhões de toneladas de terra e pedra sem proveito, para o litoral? Brincando, apenas se estiverem interessados em avançar mar dentro com as escombreiras dos materiais sobrantes, após o tratamento do minério.

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