Periscópio: e depois da festa?

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O país político ou pelo menos uma boa parte dele tem andado em festa por estes dias. A tomada de posse de Marcelo como Presidente da República constituiu um autêntico Carnaval em plena quaresma.

Não. Não me refiro à Quaresma dos católicos. Falo da quaresma, da época que viemos, da tristeza, da austeridade, do desemprego, do orçamento que muitos dizem já não existir como foi pensado pela Geringonça do Governo de esquerda.

E, no entanto, anda meio mundo político enlevado, distraído ou talvez apenas a tentar enganar-nos como se enganam os tolos. Sim, com festas e bolos. Assim reza o ditado.

Marcelo, esse lá anda, ainda, no passeio, a visitar O Papa e o rei de Espanha, depois de ir ao Porto. O homem começa bem. Faz-me lembrar alguém. Um outro Presidente que passou a vida, durante os dois mandatos, a visitar outros países. Alguns receberam-no múltiplas vezes. Pois claro. O povo paga tudo isso.

Festas, música, beijinhos, recepções, jantares, cumprimentos, sorrisos, afectos. Muita coisa boa, a que o povo só está habituado praticamente quando os políticos se deslocam em campanha  e cujo expoente máximo era Paulo Portas, o “Paulinho das feiras”, acabado de retirar-se, por agora, dos palcos políticos.

Mas Marcelo não tem uma vida fácil. Vai ter brevemente de meter a mão na massa. Não, não é no dinheiro. É nos problemas. E que problemas!

Marcelo vai ter de corresponder às expectativas que criou com os seus comentários, a sua candidatura e a sua eleição para o mais alto cargo da Nação.

E que respostas terá ele para dar?

E que vai ele fazer quando tiver de se indispor com alguém? Com os políticos que nos governam?

Vai ter de tomar posição, terá de contrariar ministros, secretários de Estado e o Primeiro-Ministro.

E vai ter de enfrentar as gentes do PCP e do Bloco, mais a esquerda do PS. Isso não vai ser nada fácil.

Ah! Ele sabe como resolver.

Não sei!

Acabado o estado de graça, vamos ver se não vai ser uma desgraça. Estou à vontade para dizer isto porque não votei nele. Nem nele nem noutro.

De cada vez que lhe puserem um microfone à frente dos olhos resistirá a deitar faladura, a comentar tudo e todos?

E nessas alturas os afectos, os beijinhos por mais calorosos que sejam não resolvem tudo. Ou melhor, não resolvem nada.

Temos em Belém uma espécie de pai. Mas um pai não dá só mimos, beijos e carinho. Também tem de dizer não. E por vezes tem de levantar a voz.

E se o filho está bem educado, ainda que o pai não esteja certo ou se engane, o filho cala.

Mas o povo, a generalidade das pessoas e principalmente o povo de esquerda não aceita “nãos!” Habituaram-se a pôr tudo em causa, a pensarem apenas neles.

E com a força que o António Costa lhes deu, não vai ser fácil eles aceitarem um não de Marcelo.

Assim, enchia-me de rir se alguns comentadores, e não só, ainda viessem a ter saudades do “defunto”. Sim, de Cavaco, fazendo jus ao velho ditado: “depois de mim virá quem de mim bom fará”.

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