Periscópio: Ai, sim? Ai, não, MaMarianita. Ai, não!

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Um cidadão veio do nada. Procurou aproveitar as oportunidades que a vida lhe foi colocando à frente, com muito sacrifício, esforço, trabalho, sem saber o que era descanso, fim de semana, férias, bailes, discotecas, bares, moinice e “passa”, estudou e preparou-se para o exercício de uma profissão, assim dando o seu contributo à sociedade.

O mesmo cidadão constituiu família, teve filhos.

Para que nada faltasse em casa, trabalhou, juntamente com a mulher, com denodo, entusiasmo, descansando pouco, aproveitando fins de semana e noites, uma vez que, para as tarefas que tinha de desempenhar e as demais actividades que desenvolvia de serviço à comunidade, o tempo de que dispunha era sempre pouco.

Durante esses anos, nem sempre deu o apoio que devia ter dado à mulher e aos filhos, porque as solicitações eram muitas.

No fundo, o cidadão preparou-se para a vida, trabalhou afincadamente, foi ganhando algum dinheiro, como é seu direito.

E, como foi educado para não esbanjar o pouco que tinha, antes foi ensinado a nunca gastar mais do que aquilo que ganhava, mas sim a por de parte sempre aquilo que fosse possível, poupou algum dinheiro.

O cidadão, com as suas poupanças, porque nem sempre gozou férias, não ia a festas, nem a jantaradas, não vestia roupa de marca, não trocava de carro todos os anos, comprava carros em segunda mão, para dar melhores condições à sua família e contribuindo para o enriquecimento do país, comprou um andar. Depois, continuando a poupar, até porque nunca foi pedir dinheiro ao banco para ir de férias para o Algarve, optando por ficar na sua aldeia natal, adquiriu mais uns bens, por exemplo uns terrenos. Depois, passados mais uns anos, já quase no fim da sua carreira, comprou mais um andar ou mudou-se para uma vivenda. Continuou, no entanto, a comprar carro em segunda mão. Fez um plano de poupança-reforma. Comprou uns títulos de tesouro. Tem meia dúzia de milhares de euros nas suas contas bancárias. Contribuiu para a Segurança Social ou outro plano de reforma com avultadas quantias para ter uma velhice sem problemas.

Este cidadão é rico. Muito rico. Para Mariana Mortágua, é.

Quem o mandou poupar? Quem lhe disse para não ir de férias? Quem o mandou trabalhar que nem um desalmado?

Que tivesse gozado a vida como outros. Que se deixasse de suar as estopinhas para cumprir os seus compromissos com os bancos ou com quem lhe emprestou algum dinheiro. Que pedisse dinheiro para ir de férias, fazer uns valentes cruzeiros, ir até à Rússia, à China, à América, ao Egipto, à Turquia, Índia, etc. Outros assim fizeram.

Ficava com menos dinheiro ao fim do mês, seria chapa-ganha, chapa gasta. Amanhã logo se vê. Alguém há-de pagar.

Ó meu caro, poupaste? Tens alguma coisa? Uns prédios? Tens contas bancárias? Tens uma boa reforma? Pois então, meu caro concidadão, passa para cá a massa que a quero distribuir por quem eu bem entender, ouviste? Tu és rico e eu e as do meu partido temos aqui uns milhares de cidadãos que não têm tando como tu. Eu, que tenho cá as minhas ideias de como se deve distribuir esse dinheiro, exijo que mo entregues, passa-o para cá, seu capitalista, seu explorador odioso da classe oprimida. E digo-te mais: assim, vamos ficar todos mais iguais.

E o pobre cidadão, atado de pés e mãos, pois nem o voto lhe vale para despedir quem assim o trata, uma vez que há muito, descrente com a política, deixou de votar em gente que considera reles, lá vai ser espoliado, roubado, sem dó nem piedade, simplesmente porque fez aquilo que todos, todos, deveriam ter feito. Trabalhar e poupar.

E lá para os seus botões, porque entretanto, também já lhe tiraram o direito de expressão e a liberdade (nos regimes governados por gente de esquerda radical é assim que acontece, mais tarde ou mais cedo!), comenta baixinho: esta gente nunca mais aprende. Elas não verão que com estas políticas ficamos todos mais pobres? Nem eu, nem os meus pais, que também eram pobres, assaltámos um banco para hoje ter o que tenho.

Este cidadão, Mariana, podia ser eu, que trabalhei de dia e estudei de noite para tirar um curso superior, com um sacrifício que nem lhe passa pela sua cabecita negra. Trabalhei de dia e de noite, aos fins de semana, para vencer na vida, educar os meus filhos. Poupei, eu e a minha família, para termos o pouco que temos. Nem eu, nem os meus filhos estudámos em Londres. Não podíamos. Não possuíamos, aquilo que o pai da deputada pelos vistos tinha, para mestrado e doutoramento em Londres. Porquê então este ódio, a quem tem alguma coisa, porque trabalhou e poupou?

Pobre Marianita…!

(Texto escrito em 16 de Setembro)

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