O presidente beijoqueiro

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Afectos e beijos, festas e andanças não fazem necessariamente de Marcelo um bom Presidente.

Eu tinha avisado. Não passaria muito tempo sobre a tomada de posse e haveria muita gente cheia das “diabruras” de Marcelo.

Meu dito e meu feito. Passaram apenas dois meses e o Presidente realizou ou participou em perto de sessenta acções de “propaganda”. E realizou já cinco visitas ao estrangeiro.

Por outro aldo, não há dia em que não fale para os meios de comunicação. Como eu escrevi na edição do NVR de 16 de Março passado, basta que uma qualquer rádio ou televisão lhe ponha o microfone à frente da boca e aí está ele sempre pronto a tecer comentários sobre tudo e sobre todos.

Claro que tem havido gente a avisá-lo que tamanho frenesim pode ser-lhe prejudicial, ma sele não se contém e o resultado está á vista.

Tem sorte em Costa não querer hostilizá-lo por ser o garante da continuação da sua “Geringonça” de esquerda. Pois fora o Presidente outro e já estaria o caldo entronado há muito.

Os jornais noticiaram a semana passada o descontentamento que vai entre os diplomatas e alguns políticos por causa do activismo de Marcelo. Gente de esquerda e de direita entende que ele está a ir muito além dos poderes que a Constituição lhe confere. Outros falam no fiasco da sua viagem a Moçambique onde nada resolveu entre  a Frelimo e a Renamo e de onde nada trouxe para Portugal.

Dizem os jornais que tem um secretariado apenas para estar atento a tudo quanto se passa, aqui e além, para ser ou fazer-se convidado.

Meteu-se na defesa do Governo sobre aquilo que nos pode esperar vindo da Comissão Europeia por causa do deficit.

Na semana passada, ofereceu-se para mediar o conflito criado pelas alterações aos contratos existentes entre o ensino privado e o Estado e de um modo especial as escolas pertencentes à Igreja.

Desde há dois meses, quem apareceu mais na televisão foi Marcelo. Marcelo apareceu em 865 notícias, três vezes mais do que Cavaco, em período semelhante no primeiro mandato. Apareceu mais do que Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e Rui Vitória, juntos. Isto noticiava o Expresso online da semana passada

Pergunta-se que competências constitucionais tem Marcelo, como Presidente, para andar a meter-se na definição de políticas do Governo e ajudar os ministros a apagar fogos por eles criados. O que fará quando os ”incêndios” criados pelo Governo não lhe agradarem ou ele não puder fazer nada.

Claro que Costa agradece para já este activismo de Marcelo. Pudera! Mas virão tempos – e infelizmente não faltará muito! – em que ambos, Costa e Marcelo, irão ter de divergir. Depois aqui d’el-rei que Marcelo não faz nada….

Entretanto, em Portugal, os problemas continuam com há 600 anos, segundo carta do Infante D. Pedro a seu irmão, rei D. Duarte. Assim, entre outras coisas, continua o despovoamento, não diminuem os impostos, falta fiscalização da acção do Governo e controle das contas públicas, a Justiça permanece igual a si mesma, lenta e por isso mesmo injusta, aplicada severamente aos pilha-galinhas, enquanto os “mentrastos” continuam a medrar e o povo a ver. A religião é atacada constantemente e por isso não há temperança. O pessoal do Governo e demais órgãos provoca despesas exageradas, “que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos” e toda a gente quer um empregozito no Estado, sem se preocupar se há ou não dinheiro ou se o país produz ou não o suficiente para lhes pagar.

E, por hoje, basta de desgraças.

 

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