| O segundo maior museu do país é inaugurado amanhã, dia 30 de Julho, pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, para dar a conhecer as Gravuras milenares do Parque Arqueológico do Vale do Côa, o mais importante sítio com arte rupestre Paleolítica de ar livre no mundo. O Museu do Côa constitui uma mais-valia de peso para a região, ao articular turismo paisagístico e touring cultural, preservando a memória da Humanidade, considera o presidente da Turismo do Douro, António Martinho. O museu vem complementar a visita in loco das gravuras e resulta da investigação da equipa do Parque Arqueológico, durante 12 anos, na sequência da classificação destes achados como Monumento Nacional em 1997 e Património da Humanidade em 1998 pela UNESCO, enquanto “ilustração excepcional do desenvolvimento repentino do génio criador, na alvorada do desenvolvimento cultural humano”.
Este centro de interpretação das gravuras milenares constitui também um centro de atracção, que traz um acréscimo de valorização ao Douro, explica António Martinho. “O museu dá a dignidade merecida a achados históricos importantíssimos, num dos 16 sítios classificados como arte rupestre pela UNESCO, a nível mundial. E é mais um motivo para visitar a região, diversificando a oferta deste destino, também ele Património da Humanidade e o 16º melhor destino mundial para turismo sustentável, segundo a National Geographic Society”.
Com um investimento de 18 milhões de euros e idealizado pelos arquitectos Tiago Pimentel e Camilo Rebelo, o projecto começou a ser construído há três anos e meio e inclui 800 metros quadrados de área de exposição sobre arte paleolítica ao ar livre. O edifício, com a cor e textura do xisto, está semi-enterrado e tem oito metros de altura na vertente virada para o vale do Douro.
Uma estrutura que, no entender do presidente da Turismo do Douro, “será tão mais benéfica para o destino quanto mais for capaz de motivar uma gestão integrada e o fluxo turístico para o Museu do Côa, em interface, nomeadamente, com o Parque Natural do Douro Internacional e a Entidade Regional de Turismo Serra da Estrela. E por isso a região precisa que trabalhemos todos em cooperação, para garantir também que quem nos visita tenha a oportunidade de apreciá-la no seu máximo potencial.”
Já referenciadas pelos pastores locais, as gravuras ganharam fama internacional em 1994, quando o arqueólogo Nélson Rebanda identificou a Rocha da Canada do Inferno. Há hoje mais de meia centena de núcleos de arte identificados e quase mil rochas inventariadas, ao longo dos últimos 17 quilómetros de extensão do Parque Arqueológico, até à confluência do rio Côa com o Douro. Além da dimensão, regista-se também uma imensa diversidade de estilos, com gravuras datadas desde há 22 mil anos atrás, sendo a maioria do Paleolítico Superior (10 mil anos). |