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Artigos de Opinião | 28-07-2010
RADIOGRAFIA EM FLASH por Aladino
O 25 de Abril de 1974 pôs termo à ditadura salazarista e abriu, simultaneamente, os caminhos de esperança numa nova era de prosperidade, liberdade e abertura ao mundo para muitos desconhecido. E só a história, assente a poeira do tempo, e desaparecidos os protagonistas do golpe e das suas causas e efeitos imediatos, poderá descobrir se os militares…

…arrojados que o levaram por diante, tiveram a intenção de corrigir o regime, de o alterar a partir de dentro ou, no extremo, de o derrubar. Seja como for, de certo modo que, na altura, foi o modo possível de acontecer, os generosos capitães, que pediram ao povo que ficasse recolhido a penates, viram-se ultrapassados pelos factos. Assim é que, o povo, borrifou-se no apelo e veio para a rua, muitos de tantos como quem vai ao futebol, as organizações partidárias e outros movimentos, à data já estruturados, com rapidez de velocista e hábil eficácia de prestidigitador, tomaram, num ápice, posições nas empresas, nas universidades, nos campos e nas consciências e assumiram o comando das coisas tornando-as, para o bem e para o mal, irreversíveis.

Saudamos e continuaremos a saudar a data, quanto mais não seja porque a vivemos, de alguma maneira contribuímos para ela e, ainda, por causa dos novos alvores que a data prometia. Porém, entre os luminosos raios do arvorecer da esperança, e ainda os brados da glória libertadora se faziam ouvir, e mal Marcello Caetano se acomodara, contrafeito, nos incómodos bancos do “Chaimite”, eis que a vérmina começa a germinar, acrisolando em si três novas espécies de deletérios bicharocos que, daí para a frente, para mal dos nossos já pesados pecados, se iria instalar, até ao tutano, de pedra e cal, nas artérias, nas veias, nos ossos e na carne lusitana e bem dentro da esperançosa e ingénua sociedade amordaçada: os oportunistas, os vira-casacas e os amadores.

Floresceram, eles, desde então, à sombra das bandeiras partidárias e desde então têm vindo a invadir de tal modo o nosso dia-a-dia, que o nosso dia-a-dia acabou por se transformar na tristíssima e trágica presiganga que se vê. Eles chegaram, com rapidez de relâmpago, ao topo dos órgãos de soberania e invadiram todos os interstícios da Administração Pública e, a partir daí, têm vindo a mover os cordelinhos da mais descarada a incompetência, do mais feroz nepotismo, da mais desbragada demagogia. E, o pior é que, muitos deles, quer os nascidos já no útero do regime dito democrático, quer os que, durante a democracia, aprenderam a fazer a barba e, quer ainda essoutros, hábeis acrobatas do antanho que, com imoral e descarado êxito, conseguiram o milagre da sua palingenesia, estão convencidos, de tal maneira introduziram nas suas vidas a distorção, que a sua mentira é a mais verdadeira das verdades, com exclusão de qualquer outra.

O certo é que, com o tempo, o cancro se instalou e pôs este país e esta democracia de patas para o ar; e, o mais grave, é que o populacho continua, caninamente, fiel e descaradamente, ignorantemente, a dar crédito a essa gentinha sem passado, talento ou probidade. E, enquanto assim for, não vamos a lado nenhum. Corrijo: caminhamos, em passo de corrida, cantando e rindo, e rapidamente, para o algar da miséria e para a terceira divisão das pátrias.

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