| António Fernandes nasceu na aldeia de Carvalho, na freguesia de Vila Chã, concelho de Alijó, a 10 de Setembro de 1954. Actualmente é o presidente da Junta da Freguesia de Vila Chã, apenas uma de muitas funções que ocupa em organismos diversos. “Nunca me deito no… …dia em que me levanto”, afirma António Fernandes, cuja maior dificuldade é gerir a sua agenda sobrecarregada. Passou a infância na aldeia que o viu nascer, onde frequentou a escola primária e onde ajudou também os pais na agricultura. Aos 17 anos, o destino levou-o a emigrar para o Luxemburgo, numa altura em que era “apetecível” procurar uma vida melhor fora do País. “Emigrei na altura em que se deu o ‘boom’ de emigração em Portugal, os olhos estavam muito virados para o exterior”, conta.
Regressou pouco depois para cumprir o serviço militar obrigatório no Regimento de Comandos da Amadora, onde esteve como contratado. “Acabei por decidir ficar por cá, assentei praça no Regimento de Infantaria 13 e daqui fui recrutado para os Comandos”, lembra. Participou em alguns dos momentos mais marcantes da história político-militar do País. “Estive no 25 de Novembro, na Calçada da Ajuda, estive no Forte do Alto do Duque, quando prendemos o Otelo, estive na libertação do Pinheiro de Azevedo”, recorda António Fernandes, só para destacar alguns episódios.
Regressou depois à vida civil e foi empregado de mesa, motorista, entre outros. Em 1982, candidatou-se à Portugal Telecom, onde trabalhou como técnico, tendo ascendido mais tarde a técnico administrativo. Completou o 9º ano em Mirandela, onde trabalhava. Foi director do Centro Desportivo, Cultural e Recreativo da PT, a sua primeira experiência no domínio social. “Era uma associação vocacionada para o lazer dos trabalhadores da PT de Mirandela”, lembra. Após a fusão na área das telecomunicações, em 1994, António Fernandes veio trabalhar para Vila Real. No âmbito do seu trabalho na PT, tornou-se dirigente nacional do Sindicato das Telecomunicações.
Papel activo na Política
Nas Autárquicas de 1997, foi convidado para integrar as listas do Partido Socialista (PS) à Junta de Freguesia de Vila Chã, na altura como independente. Começou por ser secretário mas nas eleições seguintes assumiu a liderança como presidente da Junta. Entretanto, filiou-se no PS e tornou-se membro da Comissão Política Concelhia de Alijó. “Pertenci ao secretariado da Concelhia e, desde Abril de 2010, sou presidente da estrutura”, afirma. É porta-voz do PS na Assembleia Municipal e está também a cumprir o terceiro mandato como membro da Federação Socialista.
A freguesia de Vila Chã tem cerca de 20 quilómetros quadrados e tem a particularidade de ter “três aldeias, mais ao menos, proporcionalmente iguais”. “As aldeias são todas muito equilibradas e quando temos uma infra-estrutura grande como um polivalente, por exemplo, isso obriga a um jogo de cintura muito grande para não deixar ninguém descontente”, revela. É o representante dos presidentes de Junta na Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios e teve um papel importante na criação da Zonas de Intervenção Florestal - Alijó Norte.
Mas não é só na política que António Fernandes dá cartas. Na área social, é o sócio nº1, fundador e actual presidente da Associação Sócio Cultural e Desportiva de Carvalho. É também presidente da Associação de São Tiago de Vila Chã, onde iniciou funções como secretário. “Funcionamos como centro de dia, com 20 utentes, e prestamos apoio domiciliário a 40 pessoas”, adianta. A sua principal preocupação, assegura, é “ir de encontro às necessidades das pessoas”. Está ainda ligado à Comissão Fabriqueira de Carvalho e à organização das festas daquela aldeia.
Agenda cheia
A sua maior dificuldade é gerir a agenda sobrecarregada. “Tenho de me organizar muito bem”, assevera o presidente da Junta de Vila Chã. “Quantas vezes me acontece ter de ir para Alijó, mas surgem imprevistos e tenho de ir para Mirandela, para Chaves ou para a Régua”, conta. António Fernandes afirma que o ideal seria “o dia nunca acabar”. “Nunca me deito no dia que me levanto”, garante.
Anda “sempre a correr de um lado para o outro”, fruto de uma “vida interventiva” e por gostar de participar em “tudo o que mexe” na freguesia e não só. Os tempos livres são “muito poucos” e as férias são quase sempre marcadas em cima da hora. “Planear é muito complicado mas tenho conseguido, fruto deste meu dinamismo”, assegura. A sua força, garante, é “alicerçada no trabalho, na determinação e na credibilidade”.
Muitos dos desafios com que se deparou ao longo da sua vida surgiram muitas vezes “quase por acaso”. “A família queixa-se muito mas sabem que o trabalho me dá prazer”, salienta. Acredita que mais tarde ou mais cedo vai ter de abdicar de alguma coisa. “Gostava de deixar tudo bem entregue, como por exemplo a Junta de Freguesia”, frisa.
O desafio mais recente é o ingresso na universidade, através do programa “Maiores de 23 anos”, na área da Sociologia, um curso “ligado às pessoas”. “Estamos sempre a tempo de aprender coisas novas e é uma forma de compreender e ajudar as pessoas no futuro”, afirma. António Fernandes é assim um exemplo de dinamismo e perseverança, que não vira as costas a um desafio.
SB |