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Vila Real | 03-10-2006
Equipa de 15 enfermeiros do Hospital pede transferência
Grande parte da equipa de enfermeiros, da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Vila Real, pediu transferência daquele serviço, por alegadamente estarem a ser colocadas em causa a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos cidadãos.

O pedido foi entregue no final do mês de Agosto e aceite pela Administração do Hospital, sem que tenha havido qualquer averiguação. De qualquer forma o administrador da unidade garante que a qualidade continua assegurada.

Quinze enfermeiros, de uma equipa de 22, da Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar de Vila Real / Peso da Régua (CHVRPR), entregou, a 25 de Agosto, um pedido de mudança de serviço alegando razões de qualidade e segurança dos cuidados prestados aos cidadãos e discordância de atitudes, que punham em causa a deontologia profissional expressa na Ordem dos Enfermeiros. Uma posição tomada depois de esgotadas as tentativas de diálogo com os superiores hierárquicos, Enfermeira Chefe e Director de Serviço de Medicina Intensiva. Os pedidos de transferência foram entregues à administração do hospital e a 15 de Setembro sete enfermeiros foram informados da mudança de serviço. Quanto aos restantes enfermeiros, que não pediram transferência, tudo aponta para que não o façam devido aos seus contratos de trabalho precários.

Os enfermeiros da Unidade estranham que o pedido de transferência tenha sido aceite tão rapidamente sem sequer terem sido ouvidos, quando há outros pedidos que estão à espera há vários anos, para ser atendidos. Ao que o Notícias de Vila Real conseguiu apurar os profissionais transferidos serão dos mais qualificados e experientes da Unidade, com cursos orientados para o atendimento do doente crítico e emergente, com um trabalho reconhecido ao nível local e nacional.

Carlos Vaz, o administrador do CHVRPR, disse ao Notícias de Vila Real não ter conhecimento das queixas dos enfermeiros porque só lhe chegou o pedido para mudar de serviço, e numa organização como esta “chegam-nos diariamente dezenas de pedidos de transferência, por isso não achei estranho” e até porque, referiu Carlos Vaz, consultou o responsável da Unidade de Cuidados Intensivos que lhe sugeriu que aceitasse os pedidos. E reforça a ideia de que o director do serviço é quem coordena e ordena como se devem fazer as coisas e “quando as pessoas acham que as ordens e orientações não são as ideais, ou saem ou aceitam as regras”.

Carlos Vaz sublinhou ainda que ficaria mais preocupado se os médicos, “que são quem trata os doentes directamente me pusessem problemas, pelo contrário, é um serviço de excelência”.
Das razões apontadas, para o pedido de transferência, destaque para a sonegação de informações clínicas vitais, para a elaboração do correcto planeamento de cuidados de enfermagem aos doentes; violação de regras básicas de segurança, como a mobilidade de enfermeiros para outros serviços, quando ficam em causa os cuidados aos doentes da Unidade; a não cedência de material e equipamento clínico a outros serviços, quando o mesmo está disponível na Unidade de Cuidados Intensivos.

Ainda no documento, a que o Notícias de Vila Real teve acesso, os profissionais de saúde alegam o estabelecimento de regras não contempladas na lei, para a elaboração de horários, tendo, neste caso, sido enviados para os serviços de medicina e cirurgia; também na elaboração do plano de férias, o documento fala em tentativas de proibição do gozo de licença de férias em época baixa, intimidando colegas, acompanhado de retaliações sobre todos os enfermeiros do serviço. A pressão psicológica gerou mau ambiente de trabalho e mal-estar na equipa, o que culminou num pedido de mudança de serviço entregue em simultâneo.

Uma das
melhores do país

Segundo noticiámos, em Março deste ano, a Unidade de Cuidados Intensivos do CHVRPR é considerada uma das melhores do país, tendo recebido muitos prémios nacionais de enfermagem e o trabalho desenvolvido é referenciado, não só em encontros nacionais, como europeus.

Francisco Esteves, director do serviço, apontou uma equipa jovem e dinâmica, com conhecimentos e capacidades técnicas acima da média como sendo as razões para a taxa de cerca de 15% de mortalidade, uma das mais baixas do país. Equipa essa que agora começa a ser substituída por profissionais de outros serviços que necessitam de algum tempo para assimilar muitos conhecimentos técnicos para operar com material de ponta, como o equipamento de monitorização e ventilação, remodelado recentemente, num investimento de 500 mil euros. No entanto, garante o administrador, a qualidade está assegurada e os profissionais de saúde vão ser substituídos por outros enfermeiros de “alta categoria”.

José Correia Azevedo do Sindicato dos Enfermeiros do Norte diz que esta situação terá sido desencadeada pelo comportamento da Enfermeira Chefe da Unidade. Uma enfermeira do Hospital que já passou por diversos serviços e, em todos, terá sido convidada a sair. O sindicalista diz que a enfermeira chefe, em causa, terá um “feitio pouco recomendável e, para quem chefia, tem que ter um determinado perfil que ela não tem.” Este pedido de transferência em bloco é visto, por José Correia Azevedo, como muito grave, por não ter sido averiguado pela administração, e porque a Unidade de Cuidados Intensivos requer pessoal altamente qualificado que não se prepara em meio ano.
A situação já foi dada a conhecer à Ordem dos Enfermeiros aguardando uma intervenção no caso.
CF

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