| Nascido numa das mais importantes famílias de Tarouca, Vasco Lima tem sido uma figura incontornável da vida social e política desta cidade duriense e beirã, nas últimas décadas. Aqui lhe deixamos o perfil e as preocupações deste ilustre tarouquense, que promete continuar a lutar pela sua terra. Quem é o cidadão Vasco Lima?
Nasci na Vila de Tarouca, no dia 14 de Outubro de 1946, sendo meus Pais o sr. António da Trindade Lima Júnior, industrial de Transportes Públicos de Passageiros e S.ª Dr.ª Isaura Augusta Figueira, Conservadora do Cartório Notarial de Tarouca. Graças à posição social dos meus Pais, tive uma infância sem as dificuldades vividas pela maioria das crianças Portuguesas nascidas nos anos seguintes ao fim da II Guerra Mundial. Frequentei a Escola Primária em Tarouca tendo sido meu Professor o Exm.º Sr.º Celso Gomes, homem de carácter, rigoroso, disciplinador, um mestre que nunca me distinguiu no tratamento dado aos outros alunos, que me puniu com algumas reguadas e cachaços, mas que me preparou para a vida real. Prestei provas de admissão ao ensino liceal tendo sido dispensado do exame oral, graças á habilitação que me foi ministrada pelo Sr.º Professor Celso Gomes.
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Tem um percurso político e de intervenção assinalável. Como vê a acção política em Portugal e qual ideia que faz dos políticos Portugueses, incluindo os Autarcas?
Penso que a revolução do 25 de Abril de 1974 teve origem no descontentamento dos militares do Quadro, relativamente às suas condições de trabalho. Mas felizmente aconteceu e proporcionou ao Povo Português a liberdade democrática, após 40 anos de ditadura, de fome e de miséria, para quase toda a População Portuguesa. Assim, é improvável que hoje alguém gostasse de regressar ao passado. No entanto, temos que reconhecer que muita coisa correu mal, graças ao oportunismo e incapacidade de muitos políticos. Penso que não foi por mero acaso que as referências políticas e intelectuais de Portugal, se afastaram e/ou foram afastadas dos cargos de decisão. Hoje a democracia em Portugal mantém importantes liberdades do cidadão, mas a verdade é que vivemos uma ditadura multi-partidária. Os candidatos aparecem-nos do interior dos Partidos Políticos que nos “obrigam” a votar em função das leis que eles próprios criaram, que conduzem à eleição de indivíduos oportunistas, incompetentes, sem conhecimento da vida real, sem prática de gestão ou governação, que sempre viveram no interior do Partido, subindo os degraus até ao topo, colando cartazes e procurando aumentar as votações partidárias. Onde estão as referências intelectuais e políticas? Ausentes da política e muitos fora do país. São muito poucos aqueles que persistem, chamando “à pedra” os responsáveis, dizendo as verdades e chamando os “bois” pelo nome. Obrigado a estes inconformistas.
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Ao longo da sua vida exerceu varias funções em Associações de vária índole. Pode enunciar aquelas em que foi dirigente ou que ajudou a criar?
No final da década de 60, fui um dos impulsionadores que tentaram fazer renascer o FCT – Futebol Clube de Tarouca, mas tal não foi possível porque os incumprimentos praticados junto da Associação de Futebol do Distrito de Viseu, não o permitiam. Em alternativa optou-se pela criação da Associação Desportiva e Recreativa de Tarouquense. Fui director desta Associação, até algum tempo depois do 25 de Abril. Fui saneado porque para uns era fascista e para outros comunista. Erros da Revolução, melhor dizendo da falta de preparação democrática de um Povo, recém saído de 40 anos de ditadura.
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Já referiu que foi fundador, entre outras, da Associação dos Bombeiros Voluntários. Como se insere nesta Associação e que tem para dizer sobre a forma como a mesma tem sido gerida?
A AHBVT foi fundada em 1974 e tem como objecto principal a protecção de pessoas e bens, designadamente o socorro a feridos, doentes ou náufragos e a extinção de incêndios, detendo e mantendo em actividade um Corpo de Bombeiros Voluntários. Como fins secundários a Associação pode desenvolver outras actividades: transporte programado de doentes, desportivas, culturais, recreativas e de carácter social de apoio às populações.
Conforme resulta da lei e dos próprios estatutos, o Corpo de Bombeiros Voluntários é prioridade fundamental da Associação. Assim, no meu entender, a Direcção da Associação só deverá investir noutras actividades desde que daí resultem proveitos destinados a satisfazer as necessidades operacionais do Corpo de Bombeiros. Ora, o que acontece é precisamente o contrário, ou seja os dinheiros da Associação, provenientes quase na sua totalidade de subsídios da C M T e da A N P C (cerca de 15.000 euros/mês), são canalizados para outras actividades com prejuízo de uma eficaz operacionalidade dos BVT, por falta de meios de equipamento e segurança individual. Mais grave ainda, é o facto de serem utilizados dinheiros para auxiliar outras Associações, concretamente a Associação Projectos Sociais nos Bombeiros, que apenas tem em comum com a AHBVT, a palavra Bombeiros.
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Os conflitos que mantém com a Direcção da Associação de Bombeiros vão impedi-lo de continuar a participar na vida social e política do concelho de Tarouca?
Não mantenho nenhum conflito com a Direcção da Associação dos Bombeiros, mas sim com dois ou três responsáveis pela mesma. O meu “conflito” tem como objectivo demonstrar aos associados e principalmente aos bombeiros, que o procedimento desses senhores é irregular e, em muitas situações, ilegal. A minha participação activa na vida social e política no Concelho de Tarouca, provavelmente não voltará a verificar-se.
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Leia o artigo na íntegra na edição impressa de 11 de Julho, do Notícias de Vila Real. |