| A liberdade de expressão, a paz entre povos irmãos e as conquistas sociais, nomeadamente, relacionadas com a liberdade da mulher e o seu papel na sociedade, acompanhada da evolução dos níveis de escolaridade por toda a população em geral, estão hoje, apesar da austeridade que vivemos, muito longe de estar em risco e são impossíveis de obliterar. Portugal recentemente perdeu liberdade - a financeira - ficou encarcerado por um memorandum que por um lado dos fornece a liquidez que nos permite cumprir com as nossas obrigações imediatas a curto prazo, manter as compras essenciais de alimentos importados, adquirir combustíveis e energia bens igualmente importados, pagar salários, mas também nos obriga a ajustar a economia e a mudar de vida.
A dívida pública em 2011 ficou nos 107,8% do Produto Interno Bruto, o chamado PIB, ultrapassando, pela primeira vez, os 100% na história de Portugal.
Se atendermos que o valor máximo sustentável que qualquer país no mundo deverá obedecer é da ordem dos 60%, verificamos que não é por acaso que os mercados de capitais desconfiam que não nos sabemos governar. É certo que não chegamos a este valor de um dia para o outro. Vários sinais indicavam que devíamos mudar de vida, a saber: a dívida pública em 1991 era apenas de 55,6% do PIB e até 1994 chegou a 57,3% mas não passou os 60%; a dívida pública em 1995 atingiu 59,2%, mas num esforço para integrar a zona euro, da moeda única, a dívida pública baixou para um mínimo de 48,5% no ano 2000. Desde esta data, em liberdade é certo, mas sem qualquer noção de responsabilidade por parte dos governantes deste país, foi sempre trilhado o caminho do endividamento de Portugal, a saber: em 2001 - 50,9%; 2002 – 53,5%; 2003 – 54,9%; 2004 – 56,3%; 2005 – 61,4% a primeira vez que violávamos o número limite dos 60% do PIB que deveria ser um alerta fundamental para quem nos governava e para todos os portugueses. Mas o povo não compreendia ainda a situação e os governantes continuaram irresponsavelmente em festa. Em 2006 o défice era de – 62,5%; 2007 – 68,3%; 2008 – 71,6%; Para encontrarmos valores semelhantes no nosso passado temos de regressar por volta de 1926 onde termina a I República que tinha arrasado a economia por excesso de dívida e por instabilidade política e assim originou o nascimento do estado novo.
E de regresso a 2009 ano de eleições, foi a fuga em frente rumo ao precipício – aumentando salários quando não tínhamos já condições económicas, Portugal caminha mais um pouco para a falência nesse ano atingindo 83,1% do PIB, e em 2010 atinge 93,3%. Chegava a era dos planos de estabilidade e crescimento: o PEC I, PEC II, PEC III e finalmente o PEC IV final. Mas nem resultava em crescimento, nem estabilidade, e os juros da dívida pública iam aumentando perigosamente até ao valor insustentável.
Todos estes anos o País, acumulou défices orçamentais, ou seja, todos os anos gastou mais do que a riqueza que criava. Quem assim gere mais tarde ou mais cedo em desastre termina.
E os defensores da liberdade de hoje, onde estiveram estes anos todos em que se agravou a situação económica de Portugal até ao nosso presente cativeiro financeiro? |