Na Crista da Onda: Nogueira, encontro com a História

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Nogueira vai encontrar-se com a História. O engraçado é que quando se fala em História os factos já aconteceram, porque História é passado e não futuro.  Hoje está juridicamente em voga a expressão “para memória futura”. E é, pois, em nome desta memória futura que aqui vimos falar. No futuro, promete-se, Nogueira terá saneamento básico. Promessa.  Mas de promessas está o inferno  cheio. E a promessa de saneamento básico em Nogueira está no inferno, de onde o actual presidente da Câmara a vai tirar,  diz (melhor, digo eu), .

Durante décadas vários presidentes  da Câmara encandearam os olhos dos crentes habitantes da freguesia, apenas com o intuito de ganhar votos. E de eleição em eleição prometia-se. E as almas piedosas e  convencidas colocavam, maioritariamente a cruz no símbolo do partido que governava o concelho, porque “agora é que é”.   Depois vinha a desilusão. E a seguir outra e outra. A cantilena tinha sempre o mesmo refrão do «vira» do rancho da aldeia: Agora é que é/ Agora é que vai ser/Nogueira contente/saneamento vai ter.  O cântaro foi sempre à fonte e nem nas últimas eleições em Nogueira/Ermida ele lá deixou a asa. Esteve quase a partir, mas alguém levou cola super 3… Enfim.

Ora, no último dia 7, pelas 19 horas, membros da actual edilidade vila-realense, que tem corda (ou será pilhas?) nos sapatos, liderada pelo seu presidente, Rui Santos, deslocou-se  a Nogueira para, no edifício que alberga a  sede de freguesia local, apresentar  «com todos os efes e erres»  o projecto de saneamento básico que vai beneficiar parte significativa desta autarquia. Não foram meras palavras de circunstância, até porque não se está em vésperas de eleições, nem houve  abraços e  beijinhos, condimentados com petiscos e vinhos, actos formais, ou seja,  foram assinados, presencialmente, os documentos que implicam as estruturas a quem compete executar no terreno a obra.   Deste modo, os habitantes  que estiveram presentes na acanhada sala do edifício referido assistiram ao «vivo e a cores» à entrega formal da obra ao empreiteiro a quem foi adjudicada e bem assim ao dia que ficará registado na história do saneamento básico. O último dia será  aquele em que  de novo o presidente da Câmara voltar a Nogueira para brindar, após a obra concluída. Então se fechará a História do saneamento em Nogueira.

O projecto não comtempla todos os habitantes. E logo se ouviram trovões. Porque «raio» uns vão ter e  outros não?  “Injustiça”, clamou-se. “São sempre os mesmos a ser prejudicados!”, protestou-se. E depois querem os votos?  Boa pergunta, com resposta rápida e óbvia: e que fizeram aqueles a quem os  entregaram durante 40 anos?   Ora estando  o edifício no Bairro de Santa Bárbara e tão perto da sua capela, o presidente da Câmara e o engº Moras da EMAR  procuraram  abrandar a trovoada que estava a armar-se  levando-a  ao monte maninho  onde não  houvesse  pão nem vinho, nem meninos a chorar, nem galinhos a cantar.  E disseram que se não era possível atingir o óptimo, ficasse-se com o bom. O verba não chega para beneficiar toda a gente e não se podia  deixar  fugir. A alternativa era ir aplicá-la  em outra freguesia.  Quem quer isso, que levante o braço. E lá ficaria Nogueira, toda a Nogueira,  quiçá  mais um quartel  à espera da coisa e a manter as ruas  «aromatizadas».  Nesta terra sempre se esperou muito pela Escola, muitíssimo pela electricidade, uma eternidade pela água e pela estrada. É uma sina. Até a esperança se esquece de quem é.  Depois há a autoestrada a criar obstáculos enormes. Ou seja: em Nogueira, a oeste nada de novo.  Nogueira já não é uma são duas. A Aquém e a Além  A24.  A decisão da municipalidade  não é salomónica… A racionalidade impõe certas decisões. Mas, no meio das brisas que sopravam, houve sugestões  ditas fáceis ou facílimas. Os técnicos prometeram estudar.

A obra irá começar. O terreno é complicado, porque alcantilado e rochoso. As ruas são estreitinhas. E  vai demorar algum tempo, lá isso vai. Vai causar transtornos, vai. Mas sol na eira e chuva no naval no mesmo momento não  há, salvo em dia de trovoada. Esperemos que Santa Bárbara amaine os ventos…

 

 

 

 

 

 

 

 

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