Na Crista da Onda: Mimos parlamentares

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Bonito!
Bonitas as cenas parlamentares da semana passada! Dois galos! Cada um com o seu cocorocó, dois lobos a uivar cada um na sua colina, em cima do seu penedo, dois leões de fauces arreganhadas e caninos prontos a dilacerar, dois elefantes de cabeça levantada a abanar as grandes orelhas, dentes agressivos e a dizerem um ao outo “olha que ainda levas com esta tromba”
– Reles, ordinário, vil e soez mal-educado
– Eessabiado!
Mimos! Só faltou “filho da mãe”, “filho do pai”…
– Sr. Presidente! – Levantou-se o ex-PM – Quero defender a honra.
– Despache-se – ordenou o Presidente. – Melhor, seria perguntar: qual honra? Há alguma honra nas bancadas?
– Nunca pensei que tivesse de invocar a defesa da honra nesta câmara – o ex-PM estava enfurecido, apetecia-lhe esfandegar tudo. “Agarrem-me, que me vou a ele”.
– Não perca a cabeça, senhor deputado – disse-lhe o actual PM. – Podia continuar e dizer-lhe: “olhe que depois eu não a coloco no seu sítio”.
C’o a breca! Foi preciso vir a senhora BE e proclamar:
– Mas o que é isto, gente? Mas onde é que nós estamos? Já chegámos ao offshore da Madeira, é?
Outrora isto resolvia-se com um duelo, quando a madrugada acordasse e o nevoeiro se estendesse até à arena do Campo Pequeno. Também podia ser no Campo Grande ou em Sete Rios. Mas como este tipo de desforra há muito que entrou na caverna do esquecimento, um dia destes ainda alguém salta a murada e vai dizer: “ isto só se resolve com umas boas bofetadas.” E zás…
O anfiteatro parecia ser um local de guerra. Eu bem disse que aquilo era o Departamento do Ódio. Nas bancadas havia lanças em punho, espadas para brandir. Aí sentia-se a agitação, sentia-se o bafo da ira, o frenesim, sentia-se a ânsia de entrar em combate. De um lado ouvia-se” por Santiago” e do outro “por S. Jorge”. É aí que se matraqueava o grito Maori do o Haka-Haka (Ka mate, ka mate! Ka ora, ka ora! Ka mate! ka mate! ka ora! ka ora!) .
Tudo isto porque o diabo é tendeiro… Arma sarrafusca em qualquer lado e em qualquer tempo. Se não se deve invocar o nome de Deus em vão já o do diabo…Ele não se apoquenta, antes lhe dá prazer, não perdendo a oportunidade para aparecer, normalmente à socapa, com artifícios. A maior parte das vezes não precisa que o chamem, porque ele sabe onde deve estar, porque a sina dele é fazer confusão, é criar engulhos, provocar sarilhos mesmo a quem pensava estar livre deles. Pois. Anunciaram-no no fim do Verão. Quente por quente, preferiu,então, ficar na sua fornalha. Mas o tempo arrefeceu no Outono e ele resolveu apareceu com um bornal cheio de e-mails e SMS. Divertiu-se com a Caixa e promete continuar a divertir-se. Não contente com isso armou outra tenda com 10 mil milhões de euros a voar para o Panamá… Oh!Oh! Se houvesse tomates no parlamento teríamos uma «tomatina»…
Duzentas crianças saíram das suas escolas para conhecerem a sede da democracia portuguesa, o lugar onde se fazem as leis, onde se decide destinos do país. Iam ver ao vivo muitas das pessoas que apareciam no pequeno ecrã. Iam para perceber… para aprender… democracia. Era para fazerem depois um mini-parlamento na escola. Oh! Deus! Ai, senhoras professoras, ai, ai. Para que levaram as criancinhas ali? Não havia melhor local?
No dia seguinte, na escola:
– Ó senhora professora, o que quer dizer vil?
– E ordinário?
– E soez?
– E ressabiado?
E?… E?… Tantas perguntas… mas que desgraça! Como sair deste inferno? Se o arrependimento matasse!…

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