Na Crista da Onda: 5 de outubro

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Versus Reino de Portugal, versus República, versus Vila Real, versus A. Guterres

1. O 5 de Outubro de 1143 marca o momento em que, em Zamora, Afonso Henriques, o infante rebelde, e o primo Afonso VII, sob os auspícios do cardeal Guido de Vico, rubricam a paz entre ambos, aceitando o castelhano-leonês que Portugal deixasse de ser condado e passasse à categoria de reino. Afonso Henriques passava a denominar-se Rex Portucalensis, mas mantinha-se como vassalo de Afonso VII, com todos os direitos e deveres. A Independência formal havia de ocorrer só a 23 de Maio de 1179, com a Bula Manifestis Probatum do Papa Alexandre III.
2. No dia 5 de Outubro de 1910 foi implantada a República, em Lisboa, e comunicada ao país por telégrafo. Era tempo de vindimas no Douro e as populações foram tendo conhecimento do facto «às pinguinhas». Neste dia, El-rei D. Manuel II visitaria Vila Real que estava engalanada para o receber. Mas um telegrama informava que o soberano não viria. Logo se soube dos «graves» acontecimentos de Lisboa. Rejubilaram os republicanos. Recolheram-se os monárquicos em casa, espreitando pelas janelas, aguardando «novas» da capital, fosse por telegrama, fosse pelos jornais, que explicassem o sucedido e que simultaneamente lhes dissessem que se repetiu o 31 de Janeiro de 1891, tendo sido presos todos os cabecilhas. Mas esta secreta esperança não aconteceu. Os menos fiéis viraram a casaca… No dia 7, nos Paços de Concelho fazia-se a proclamação da República o cortejo que se seguiu animou o Tabolado, o Jardim das Camélias e outros arruamentos de Vila Real.
3. A Câmara Municipal do executivo socialista, que actualmente gere a res publica, teve a ideia feliz de preparar para este último 5 de Outubro um cortejo etnográfico que, sob o signo do «vinho», trouxe à cidade 50 associações culturais que mostraram um pouco daquilo que somos, aquilo que faz parte da nossa identidade. E aqueles que não produzem vinho em abundância e de qualidade trouxeram aquilo que de melhor têm: linho, milho, centeio, produtos hortícolas. E quem não trouxe nem uma coisa nem outra, mostrou a sua arte – música, por exemplo. Afinal é preciso valorizar aquilo que temos, aquilo que faz de nós aquilo que somos. A cidade, que esteve presente, gostou certamente.
4. Mas o 5 de Outubro deste ano vai fazer parte da História de Portugal, como o dia em que o nosso país colocou um «filho seu» no topo do mundo, como Secretário Geral da ONU, desbravando «mares» adversos e lutando contra «monstro» que á última hora aflorou nas ondas, empurrado pelo gigante alemão. Mas não há golias que não possa ser vencido se maior ou melhor for a arte e o engenho.

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