Na crista da onda: Maria Luís vai formosa e vai segura

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Nós. A nossa vida está  cheia de nós. Cada um tem os seus. Uns próprios, outros alheios, aqueles que nos arranjam. E nestes se incluem os do poder, cegos. Durante quatro anos a governo PSD/CDS apertou-nos a garganta e a cintura.  Depois, veio António Costa e cortou o nó górdio com uma espada afiada e não esperada, mas fazendo outros nós que outros quererão desfazer, entre eles o conspirador PPC que,  não querendo acreditar no que aconteceu,  iniciou uma campanha. Desalojado da sua “praça”, anda pelo país, a «bombar» como fosse aquilo que já foi, mas agora como  figura de  primeiro ministro no exílio. E arreganha os dentes – perdoem-se-me estas palavras – quando passa  por aquele que o desalojou de grande senhor castelão.  Lamechas, queixinhas, lembra sempre que o despojaram de um bem que ele tinha como seu. Tiraram-lhe o prazer de apertar nós. Bomba e  sopra no olifante para ser ouvido nos campos da Bruxelândia, onde vai e onde  tem «fidelis» que sempre lhe apreciaram a atitude submissa e subserviente, fazendo tudo o que lhe pediam. Têm eles saudades do «bom rapazinho» que nunca fazia ondas, mas sorria sempre. Lá onde não gostam de serem incomodados, passavam-lhe a mão pelo pêlo, enquanto ele lhes continuará a afirmar que faria tudo diferente, pedindo, ao mesmo tempo,  que  assustem o usurpador, que o obriguem a meter o rabinho entre as pernas, lhe  cortem o combustível para a geringonça, ou a escangalhem, tirando-lhe uns parafusos às rodas.

A política  não é para dar as mãos, não é para unir, antes para dividir, para afirmar  personalidades, egos ambiciosos de poder. Consensos? Não obrigado. Diz PPC. Só quando estiver no poder e para inglês ver. Consensos?  Não e sim já disse antes A. Costa. Depois de os fazer à esquerda  abre a porta aberta à «direita».

Cada um quer o seu «reino». Veja-se PPC que nem apresentou  propostas para o orçamento. Ele é um senhor. Não dá esmola  à geringonça.  Ainda se fosse para um ferrari.  É assim. Se tu cais eu ocupo o teu lugar. Um manda vestir, outro manda despir. Uma manda cantar, outro quer que  os «seus» assobiem. Um exige que se fique parado, outro ordena que se corra.  Um tira, outro põe. Aquele contrapõe e este  dispõe. Tudo é um qui-ri-qui-qui e um cá- cá-ra-cá-cá. Enfim, questões de um  país  «choldra», de merdiúnculas, lana-caprinas, de saca-rolhas-abre-o-garrafão, da cambada-todos-à-molhada, de  governantes  que apenas  terão um pequeno período na história nacional e nem uma linha na europeia. Nenhum dos políticos actuais tem estatura para se assemelharem aos grandes construtores da nação – D. Henrique/D. Teresa (esta a quem o papa deu o título de rainha, mas a quem uma certa história minimizou, por conveniência ideológica), Afonso Henriques, D. Afonso III, D. Dinis, D. João I, Infante D. Henrique, D. Duarte, D. João II,  Marques de Pombal, D. Pedro IV, Fontes Pereira de Melo, Afonso Costa ( um homem que gerou amor e ódio), e para muitos Salazar – que percebia de finanças e que sem troika cortou  e cortou na despesa,  poupou, amealhou, empobreceu o povo e limitou todas as liberdades, incluindo a de casar aos servidores do estado (e fiquemos por aqui) –  o bom governante que levava á água ao seu moinho, ameaçando, perseguindo, prendendo, e… e… etc.,   Humberto Delgado, pelo simbolismo democrático. Na III República, saltam para a ribalta Sá Carneiro – que teve a sorte de morrer antes de tempo, conservando assim uma aura que ninguém adivinhará o que seria hoje, se amado, se mera citação  -, Eanes – que deu ordem à desordem – , Soares – pelo que foi, não pelo que é, Cunhal pela luta contra a ditadura. E depois deles? Pequenos aprendizes de feiticeiro que não foram à escola de Hogwarts.  É ver Maria Luís, o último caso.  Deu um nó no parlamento e na Arrow Global. A um juntou outro  bolo, porque no parlamento lhe pagam pouco. Ligou um e outra à corrente, com fibra óptica de 4ª geração.  Deu um nó na ética.

E lá vai  Maria Luís

Donairosa e sorridente

Tem  cá lugar de deputada

E  pela Arrow foi contratada

Não podia estar mais  contente.

Leva na cabeça o pote

Blusa com lançarote

Tão serena como a neve pura

No seu ar de candura

Vai formosa e vai segura.

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