Livro “A guerra nos Balcãs” do General Carlos Branco

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A GUERRA nos BALCÃS

Jihadismo, Geopolítica e Desinformação

Vivências de um Oficial do Exército Português ao Serviço da ONU

 

O livro é um testemunho pessoal, tanto de acontecimentos vividos em primeira mão, como de ocorrências em que o autor esteve indiretamente envolvido como observador militar das Nações Unidas na guerra que se seguiu à implosão da Jugoslávia socialista. É uma compilação de estórias que viveu e por que passou organizadas cronologicamente (tanto quanto possível). Apesar do trabalho não ter a pretensão de ser um exercício académico, nem uma incursão na história do conflito poderá contribuir, contudo, para a sua melhor compreensão ao proporcionar mais uma leitura dos acontecimentos.

Num tempo em que o Daesh, os acontecimentos no Iraque, na Síria e no Sul da Ucrânia dominam a agenda internacional, poderão alguns interrogar-se sobre a pertinência do tema; outros poderão mesmo considerar anacrónico falar do conflito jugoslavo. A sua plena compreensão continua a ser de extrema importância para melhor entender a conflitualidade atual.

O conflito jugoslavo representou a génese de uma nova Ordem Internacional que conduziu ao mundo unipolar e à ascensão da potência global; foi um caldeirão onde podemos encontrar muitas das dinâmicas presentes nos conflitos dos dias de hoje, naturalmente com outros matizes, como, por exemplo, o papel desempenhado pelas grandes potências na ordem política internacional, a justiça criminal internacional, o modo como os acontecimentos são comunicados às opiniões públicas e o jihadismo. O conflito na Bósnia é talvez um dos conflitos dos tempos modernos mais mal explicado, para grande benefício do Islão radical e da jihad global. Ao contrário do que muitos possam pensar, a jihad global não teve origem no Afeganistão mas sim na Bósnia. Poucos analistas ocidentais consideraram a Bósnia uma frente da jihad global promovida pela Al Qaeda.

Este livro constitui também uma manifestação de solidariedade para com todas as nações que formavam a antiga federação jugoslava que, empurradas pelos seus dirigentes, se envolveram numa luta fratricida, fazendo-os crer que tinham algo a ganhar em se envolverem naquela guerra. Passados 20 anos da assinatura do acordo de Dayton, ficou claro que nenhum dos países que emergiram da dissolução da antiga Jugoslávia beneficiou com a guerra. Perderam todos. Lutam hoje desesperadamente pela sobrevivência. Desistiram de um projeto coletivo onde tinham voz, para se envolverem num outro onde são atores menores, com uma reduzida margem de manobra e uma diminuta capacidade para influenciar e defender os seus interesses.

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