Feriados e dias santos de guarda, voltaram!

929

Por: Fonseca de Carvalho

Errar é humano e todos sabemos que não há mal algum em errar, desde que com esse erro se aprenda, se tire uma lição de vida e consequentemente, se construa. Mas, também não se pode errar muitas vezes.

Há uns anos atrás, o então governo português, para satisfazer as imposições da TROIKA, decidiu acabar com quatro feriados, dois nacionais e dois dias santos de guarda, repartindo assim os efeitos pelas duas correntes, digamos a religiosa e a republicana.

Com esta medida, o Estado Português ia poupar uns quantos euros, que tanta falta fazia para o equilíbrio das contas públicas.

Agora, novo governo, de outra cor politica, novas opções, eis que os citados feriados são repostos com alguma pompa e circunstância, até mesmo com um acordo com a Santa Sé. Até onde vai o nosso poder de decisão…

O que antes estava certo, a supressão dos feriados, agora é considerado errado e há que emendar, nem que seja só para contrariar a posição anteriormente assumida num afã de apagar qualquer rasto da anterior governação, voltando tudo à situação inicial.

Não se aprendeu com o erro, nem se tentou fazer melhor.

Uma oportunidade perdida… Esperava-se, ideia ingénua, que esta opção de repor os feriados, pela importância que tem na vida de todos, seria tomada depois de um estudo sério, com análise dos pontos fortes e pontos fracos e só então se tomaria a decisão. Se os anteriores tinham cometido um erro, haveria que aprender com ele e então, depois de amadurecer a situação atual, tomar a decisão.

A hipótese de encostar os feriados ao fim de semana para minorar o efeito destes a meio da semana, foi mais uma vez esquecida. O usufruir dos feriados ou dos dias santos de guarda passariam a ser chegados ao fim de semana, ou seja, quando acontecesse a uma terça, quarta ou quinta-feira passariam para a segunda ou sexta-feira. Haveria o fim-de-semana dilatado, o justo lazer, sem haver intermitência de trabalho e a festividade ou a celebração do acontecimento ocorreria no dia certo, pelas entidades oficiais, mas sem quebra do trabalho continuado.

Há ainda a acrescentar que, quando o feriado civil ou religioso ocorresse num sábado ou domingo, seria o mesmo gozado na sexta ou segunda-feira imediatamente anterior ou seguinte. Contudo, haveria certas celebrações que pela sua especificidade seriam sempre comemoradas no dia certo, nomeadamente o dia de Ano Novo, o Corpo de Deus e o Natal.

À partida e numa análise simplista, esta hipótese seria uma solução para os problemas provocados pela ocorrência de feriados ou dias santos de guarda durante a semana, conforme o calendário, com a eliminação das famigeradas “pontes” tão prejudiciais à produtividade, motivada por tantos dias seguidos de interrupção extraordinária.

Nada disso, muda-se e pronto, volta tudo ao anterior. A pressa, a necessidade de decidir contra o anteriormente decidido, parece ser a palavra de ordem. Fazer certo, aprender com o erro, não interessa. Importa é resolver depressa e desfazer o que os anteriores fizeram. Ficou tudo na mesma! Ganharam os fundamentalistas que argumentam que a celebração das efemérides perderia a solenidade e importância, se não ocorresse no dia aprazado.

Será que a crise já terminou ou pretende-se unicamente dar a sensação de que as opções agora são outras?

A título de curiosidade, verifica-se que Portugal, comparativamente com a Europa, está na média no que concerne ao número de dias feriados ou dias santos de guarda.

“ O grande defeito dos intelectuais portugueses tem sido sempre o só lidarem com intelectuais. Vão para o povo. Vejam o povo. Vejam como eles refletem, como ele entende a vida, como eles gostariam que a vida fosse para eles.”      Agostinho da Silva

 

Deixe o seu Comentário

Comentário