Tertúlia João de Araújo Correia promoveu mais um “roteirinho”

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Como acontece todos os anos, a Tertúlia João de Araújo Correia levou a cabo mais um “roteirinho” inspirado na obra do contista duriense. Dizia ele que “A Régua, donde quer que se aviste, é uma jóia. Mas, o que lhe dá realce é o estojo, isto é, a concha em que assenta, a bacia da Régua, com as suas montanhas, as suas colinas e o seu rio”. O escritor dedicou por isso várias crónicas aos miradouros, lugares onde o olhar se pode regalar com deslumbrantes panoramas. A sua proposta é que estes locais, famosos ou não, sejam acarinhados e até multiplicados. Neste capítulo, a Régua dispõe de vários trunfos: “dentro da vila, os pontos donde se descobre a mimosa paisage ambiente, são belos. É belo o Cais, bela a Alameda e bela a Estrada Nova”. Eis o ponto de partida para o roteirinho que realizámos no passado fim de semana, 17 de Junho, na companhia das palavras de João de Araújo Correia sobre uma paisagem que só admite o encanto canto.

E para começar, seguindo os passos do nosso mestre, fomos até às Fontainhas. “O silêncio, que ali se condensa, no sopé de airosas colinas, povoam-no ecos do passado, murmúrios de água clara e verduras de variada folhagem.” Logo ao lado “a Capela da Nossa Senhora do Desterro, a das sete esquinas, como lhe chama o povo, é tão harmoniosa em sua pequenez, que dificilmente encontrará irmã no termo do concelho. Deve ser considerada jóia municipal.”

Mas o pensamento do escritor voou para o seu eremitério e levou-nos com ele. Fomos espreitar o seu terraço, esse espaço de magia de onde, em horas de lazer, contemplava a sua montanha. “Do meu terraço, avisto agora a minha montanha tapeçada de vinha, salpicada de cal faiscante nas casas e toucada de matas a todo o correr da cumiada. Eu chamo-lhe o monte Loureiro, porque das três freguesias, Loureiro é a culminante. À parte cemitérios e caminhos, não há na minha montanha decímetro de terra que não conte cepa. Em cada um destes corpos torcidos, passou a mão do homem, plantando, podando, cavando e vindimando. “

E Loureiro, com passagem por Sergude, foi o passo seguinte. “Não quero descrever, nem sequer recordar, a vista panorâmica abrangida do alto de Loureiro. É maravilhosa, porque, em sua amplitude, abarca uma série de relevos de todos os feitios de revestimentos. Dali se vê o rio Douro chegar à Régua e demorar-se junto dela, espraiando-se em airosa curva.“ Em Loureiro recordámos o Heitorzinho, cujo espectro circula ainda por aquelas paisagens. A devoção do povo àquele eremita concretizou-se numa capelinha que é frequentada e embelezada pelos fiéis. A frase de João de Araújo Correia “Por este caminho passou uma cruz./Era o Heitorzinho a imitar Jesus”, no pequeno memorial, pôs fim ao roteirinho.

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