Do Brexit e outros disparates

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1 – Anda meio mundo em polvorosa por causa da saída da Grã-Bretanha da União europeia. Parece que de um momento para o outro muita gente entrou em parafuso e a dar com a cabeça nas paredes. Como se isto não pudesse acontecer.

O mundo, desde que é mundo, já deu muita volta. E ainda há-de dar mais, quando nós, os que aqui andamos agora, já cá não estivermos. A geografia política e a administrativa não é nem nunca foi para durar muito.

Vejam-se as alterações que se verificaram ao longo da história da humanidade. As mudanças que se deram na Europa ao longo dos séculos. Nasceram impérios, os quais, após maior ou menor duração, acabaram por desaparecer. A Europa tem tido paz desde a última guerra, que terminou apenas em 1945. Foi ontem. Ainda há milhares de pessoas que participaram nessa guerra. E mesmo os da minha geração ainda sofreram as consequências dessa terrível guerra.

Até me soam ridículas algumas declarações de alguns responsáveis políticos portugueses e europeus.

Tudo se há-de compor. A Inglaterra, sozinha, ou acompanhada dos demais países que compõem a Grã-Bretanha, necessariamente terá de continuar a colaborar com os restantes países da Europa continental na sua defesa e em todas as demais questões de segurança. A ilha que eu saiba não se vai mudar para a América. Sempre ali esteve e ali vai continuar.

Depois vem a história dos emigrantes portugueses, e não só, que ali trabalham. Têm medo de quê? Como é que os ingleses se iriam ver sem os milhões de emigrantes que lhes fazem os serviços que eles já não querem fazer? Onde estão os canalizadores, electricistas, varredores de ruas e “almeidas” lá do sítio para lhes varrerem o lixo?

Estão a ver os ingleses a varrer ruas?

E a outro nível, quem vai cuidar dos seus filhos e netos, limpar-lhes as casas?

E quem vai tratar dos problemas informáticos dos seus computadores?

E no turismo quem vai servir e cozinhar nos restaurantes?

E nos hospitais ainda iria ser mais bonito. Como resolveriam, de um momento para o outro, os problemas resultantes da debandada dos milhares de enfermeiros estrangeiros e designadamente os portugueses que ali trabalham

Por isso, nada de alarme. No fim vai ficar tudo bem ou mais ou menos como agora. Vamos com calma.

2 – Aquilo que se passou no campo de futebol do Canelas, clube de Vila Nova de Gaia, não tem explicação possível. Só num país onde campeia a irresponsabilidade e pode admitir que um jogador de futebol tenha o desplante de fazer o que fez. Por causa de uma simples jogada de futebol, um jogador, ainda que se sentisse injustiçado, agredir o árbitro daquela maneria… Bem! O sujeito nunca mais deveria ser ninguém como futebolista como, aliás, se espera. Devia ser proibido de jogar, mesmo a brincar, entre amigos.

Claro que só se pode entender aquela atitude por o sujeito sentir as costas quentes por parte dos demais jogadores e principalmente do capitão da equipa, o célebre arruaceiro que dá pelo nome de Madureira, ou mais propriamente, o “macaco”, figura bem conhecida, por ser o elemento principal da claque de Futebol Clube do Porto. Porto, equipa, que não tem culpa de um sujeito destes ter essa responsabilidade. Não confundamos as coisas.

3 – A finalizar, o despacho de arquivamento do processo do BPN que envolvia Dias Loureiro. O senhor pode não ser um santo. Mas daí até um Procurador do Ministério Público escrever que o inquérito é arquivado por falta de provas e depois afirmar que há enriquecimento ilícito… Não haverá ninguém que pergunte a este Procurador se gostaria de receber igual tratamento, no caso de ser ele a estar na berlinda? É que, infelizmente, tudo isto ajuda a colocar a Justiça em maus lençóis. Depois queixam-se de não serem respeitados. Quem quer ser respeitado tem de se dar ao respeito. Já há muitos anos que assistimos à degradação da justiça, mesmo no que respeita a decisões de alguns juízes, como se vai sabendo e quem anda no meio conhece muito bem. Agora, como neste e noutros casos, o mal está também a chegar ao Ministério Público, o que não augura nada de bom.

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