Decidir sobre o final da vida

350

O Conselho Nacional para as Ciências da Vida, está a realizar em todo o país conferências tendo como tema o final da Vida e os cuidados paliativos.

Na sessão realizada recentemente em Vila Real, os conferencistas abordaram de uma forma especial o fim da vida das crianças e jovens, englobado na eutanásia, assunto que em breve será discutido na Assembleia da República.

Foi realçada a falta de cuidados paliativos para a infância, a qual só existe praticamente no litoral e nos grandes hospitais, mas não no interior.

A Dra Alexandra Dinis referiu-se à incongruência que existe quando se quer autorizar uma criança ou jovem a decidir sobre o final da sua vida, mas não se reconhece a essa criança ou jovem capacidade para votar, para conduzir, para frequentar bares e eventualmente beber bebidas alcoólicas.

Foi dito também que neste momento em alguns países estrangeiros, como a Bélgica e a Holanda, há estudos que prevêem a liberalização da eutanásia, permitindo que seja aplicada crianças acabadas de nascer, por decisão dos pais. O mesmo em relação aos jovens que poderiam decidir sobre o final da sua vida.

A questão que se levanta, entre outras, é que muitas crianças e jovens podem ser induzidos a desejar a sua morte pelo sofrimento que julgam estar a causar aos pais. Isso, demonstra que um jovem pode não estar a ser completamente livre na sua autonomia para decidir, por factores estranhos á sua pessoa.

O Dr Fernando Rodrigues, defensor da autonomia, considera que as crianças e os jovens não são autónomos nem ele sabe dizer a partir de que momento ou idade o serão.

No debate foi realçada a necessidade de apoio a quem está a sofrer, visitando-o, “dando-lhe colo”, para que o sofrimento não seja tão difícil de suportar. E isto aplica-se de um modo especial às crianças, embora este carinho faça bem à crianças e aos pais.

Houve ainda aquém defendesse que as crianças devem aprender a conviver com o acontecimento da morte, por ser uma coisa natural a que todo o ser está sujeito.

A sessão decorreu na Biblioteca Municipal e nela participaram também o Dr Eduardo Carqueja e Antonieta Luz, da associação ACREDITAR.

Deixe o seu Comentário

Comentário