Da Outra Margem: Uma nova agenda para a floresta e o território

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As Universidades, enquanto instituições preocupadas com os desafios societais e a abordagem inteligente de questões complexas, não podem ficar alheias a temas determinantes para o futuro do país, como o da floresta. Na sequência da proposta de reforma da floresta apresentada pelo Governo, em discussão pública até final de janeiro, a UTAD tem tido uma posição proactiva, dinamizando fóruns de reflexão em colaboração com a Ordem dos Engenheiros e envolvendo os seus antigos alunos, de forma a contribuir para este desígnio nacional.
Os dados oficiais comprovam que a floresta é um importante recurso estratégico para Portugal, cuja sustentabilidade está em causa e, como tal, o sistema científico não pode ficar alheio a este tema. Segundo o IFN (2010), a área de gestão florestal é predominante em Portugal, representando cerca de seis mil milhões de hectares, dos quais apenas metade tem floresta e a restante é ocupada por matos, incultos e pastagens. A nossa floresta de produção bem gerida (eucalipto, sobreiro, pinheiro, entre outras espécies) contrasta com a área de minifúndio, dispersa e de difícil viabilidade económica, caraterística das regiões de baixa densidade. Em termos económicos, representa cerca de 2% do PIB e o valor acrescentado bruto nacional é de cerca de 4 mil M€, envolvendo cerca de 95 mil postos de trabalho diretos e 400 mil proprietários. No entanto, a rentabilidade da gestão florestal é baixa e a muito longo prazo.
É neste contexto que deve ser pensada uma nova agenda para a floresta, envolvendo de modo holístico as principais questões relacionadas com a política florestal, designadamente o aproveitamento da biomassa florestal, o fogo controlado e a redução do risco de incêndio, o cadastro, o banco de terras, os incentivos ao ordenamento florestal através das sociedades de gestão florestal e a promoção de novas zonas de intervenção florestal (ZIF), além das questões legais para ações de arborização e rearborização.
Contudo, a agenda da floresta deve incluir também as questões da formação e da investigação. É fundamental dar mais relevo a profissões que estão em “desuso”, mas de enorme relevância para o sector e o país. Refiro-me à engenharia florestal que tem tido uma reduzida procura pelos jovens, não obstante a sua importância na definição e implementação de modelos de silvicultura preventiva, que tornem a floresta mais resistente e resiliente ao fogo.
O Futuro da floresta convoca ao envolvimento do sistema científico e do conhecimento, enquanto fator estratégico e competitivo da sociedade contemporânea, no qual os engenheiros florestais devem ter uma maior intervenção.

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