Da outra Margem: Uma Homenagem ao Douro Património da Humanidade

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A outorga do título de doutor Honoris Causa ao Dr. Miguel Cadilhe no próximo dia da UTAD é uma homenagem merecida, pelo seu papel na dinamização da candidatura do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial. Esta homenagem dá relevo a toda uma dinâmica económica, social e cultural que tem vindo a ser gerada na região e, deste modo, reforça a sua forte ligação ao Douro e saúda todos aqueles que continuam a honrar o esforço e saber acumulados dos homens e mulheres do Douro.

Recordo que ao longo de décadas, a UTAD tem mantido uma forte ligação a esta região. Na década de oitenta, iniciou-se um processo de renovação do Douro impulsionado pelo PDRITM, no qual a Universidade teve um papel determinante no processo de reconversão dos seus vinhedos e em estudos da fileira vitivinícola. Na década de noventa continuou a reconversão da vinha, teve início a internacionalização dos vinhos do Douro e avança-se para a preparação da candidatura a Património Mundial, processos em que a UTAD sempre manteve um papel crucial.

A influência da Universidade viria a ser acentuada pela nova geração empreendedora de enólogos, com competências e formação de dimensão internacional, que apostou na qualidade, diferenciação dos vinhos e em práticas sustentáveis.

A primeira década do século vinte e um ficou marcada pela classificação do Alto Douro Vinhateiro como património universal e por um investimento em acessibilidades rodoviárias, infraestruturas culturais, hoteleiras e vitivinícolas. Estes investimentos mudaram a paisagem do Douro Vinhateiro, mas não lhe retiraram o valor excecional.

As alterações observadas no Douro nas últimas décadas, não podem ser desligadas da globalização da sociedade e da economia. Implicações desta globalização, são os movimentos turísticos na região, com destaque para o turismo fluvial e a internacionalização dos DOC – Douro.

Mas, o Futuro convoca novas dinâmicas para o Douro, em que a Universidade terá sempre um papel preponderante, designadamente: aumento do valor acrescentado do valor do vinho e da paisagem e criação de produtos diferenciados de elevado valor; aposta numa nova carteira de atividades económicas, considerando mercados cada vez mais globalizados e competitivos, reforçando a aposta na inovação e desenvolvimento de marcas; promoção do turismo e gastronomia ligados a uma narrativa cultural potenciando a chancela UNESCO; valorização de domínios do desenvolvimento sustentável aos quais a cultura adiciona um valor acrescido, mediante expressões culturais e práticas artísticas, a preservação do património material e imaterial, e a promoção da diversidade cultural.

O Douro, enquanto laboratório de desenvolvimento sustentável, exige dinâmicas inteligentes e produtivas, sendo determinante colocar a criatividade e o bem-estar no centro da planificação e da renovação rural, respeitando sempre os princípios de proteção do património. Indubitavelmente, este desígnio exige conhecimento e a UTAD deve manter um forte compromisso de apoiar a região do Douro, a qual será sempre uma das suas bandeiras.

* Reitor da UTAD

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