Da outra margem: Novas apostas para o turismo do Interior

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O crescimento do turismo em Portugal é bem visível, tanto nos grandes centros urbanos, como Porto e Lisboa, em nichos de mercado muito específicos, como o enoturismo ou o turismo de natureza, com reconhecidas vantagens para a economia nacional. A melhoria de resultados deste sector exige a construção de novas experiências nos destinos e o apoio à inovação, o que implica o envolvimento das instituições do sistema científico.
Os mercados turísticos têm vindo a tornar-se cada vez mais globalizados e competitivos, forçando os seus agentes a inovar, a desenvolver novos conceitos e a potenciar marcas, como a chancela UNESCO, com ramificações em todo o mundo, ou outras, como “Portugal”, “Lisboa”, “Algarve”, “Porto” ou “Douro”. Destaque-se que o relatório da Nation Brands, agência independente que avalia e gere marcas, publicado em 2013, colocava Portugal no meio da tabela dos países mais valiosos, enquanto marca, e no topo da cotação no segmento do turismo.
Relativamente à chancela UNESCO, um estudo desenvolvido por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em 2014, sobre o valor económico resultante da ligação às redes da UNESCO, em Portugal, dos sítios inscritos na lista de Património Mundial, das reservas da biosfera, dos geoparques e das cátedras UNESCO, comprovou que os benefícios mensurados como o diferencial entre os benefícios e os custos totais, são globalmente muito positivos.
Adicionalmente, este estudo conclui que a ligação à UNESCO traz também benefícios na envolvente externa. Em territórios desafiantes mas de grande riqueza paisagística e patrimonial, casos dos vales do Douro e do Côa, a chancela UNESCO abre oportunidades que devemos valorizar em novos contextos e envolvendo dinâmicas internacionais, como a participação em redes, a realização de eventos e a atração de turismo em segmentos como o científico, o cultural e de natureza.
Esta estratégia deve ser articulada com o anunciado apoio do Turismo de Portugal ao desenvolvimento de programas de incubação, à participação de novas empresas com claro envolvimento em processos de internacionalização, e ainda ao contributo das escolas de Hotelaria e Turismo na criação de iniciativas inovadoras.
No atual contexto da economia da experiência, o grande desafio está na construção de atividades e serviços inovadores neste sector, que cruzem elementos culturais, educativos e de lazer, e que podem assumir maior relevância em novos formatos de turismo e novos nichos de mercado.

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