Da Outra Margem: Douro – Património da Humanidade

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No passado dia 15 de dezem­bro celebrou-se a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade. A UTAD associou-se a esta cerimónia, reforçan­do a ligação que sempre manteve com o Douro. Senão vejamos.

Na década de oitenta iniciou-se um processo de renovação do Douro impulsionado pelo PDRITM, no qual a UTAD teve um papel determinante no processo de reconversão dos vinhedos e em estudos da fileira vitivinícola.

A década de noventa, além da reconversão da vinha, foi marcada pela internacionalização dos vinhos do Douro e o início da candidatura a Património Mundial, no qual a UTAD teve um papel crucial. A influência da UTAD foi acentuada por uma gera­ção empreendedora de enólogos com competências de dimensão internacio­nal, que apostou na qualidade, dife­renciação dos vinhos e em práticas sustentáveis.

A primeira década do século vinte ficou marcada pela classificação do Alto Douro Vinhateiro como património universal. A exemplo de outras regi­ões, registou-se um razoável investi­mento público e privado em acessibili­dades rodoviárias, infraestruturas cul­turais, hoteleiras e vitivinícolas. Estes investimentos mudaram a paisagem do Douro, mas não lhe retiraram o valor universal excecional.

Nos últimos tempos, a UTAD tem vindo a focalizar-se em dinâmicas de conhecimento e de inovação, numa estrutura de ambição internacional, através, por exemplo, da Plataforma de Inovação da Vinha e do Vinho. Este projeto será um forte impulsionador das áreas ligadas à fileira vitiviníco­la e afins, abrangendo a gestão econó­mica da vinha e do vinho, os processos da viticultura inteligente, do ambien­te e qualidade, do marketing e enotu­rismo.

Mas, o Futuro convoca novas dinâ­micas para o Douro, em que a Universi­dade terá sempre um papel preponde­rante: No aumento do valor acrescen­tado do valor do vinho e da paisagem, bem como a criação de produtos dife­renciados de elevado valor;

Na aposta numa nova carteira de atividades económicas, considerando mercados cada vez mais globalizados e competitivos, reforçando a aposta na inovação e o desenvolvimento de novos conceitos e marcas;

Na promoção do turismo e da gas­tronomia interligados, com uma nar­rativa cultural, assente nas estruturas locais existentes e potenciando a chan­cela UNESCO;

Na valorização de domínios do desenvolvimento sustentável aos quais a cultura adiciona um valor acrescido, mediante expressões culturais e práti­cas artísticas, a preservação do patri­mónio material e imaterial, e a promo­ção da diversidade cultural.

Em síntese, o Douro enquanto labo­ratório de desenvolvimento susten­tável, exige dinâmicas inteligentes e produtivas, sendo determinante colo­car a criatividade e o bem-estar no centro da planificação e da renovação rural, respeitando sempre os princí­pios de proteção do património.

A aposta na região do Douro será sempre uma das bandeiras da Univer­sidade.

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