Da outra margem: Apostar em Novos Formatos de Atratividade da Cidade e da Região

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O Desenvolvimento Sustentável foi o tema principal das Jornadas promovidas pela Associação Portuguesa de Management realizadas na UTAD, onde foram debatidos importantes conteúdos subjacentes ao conceito de sustentabilidade, de ordem ambiental, económica e social, mas em que as questões do território mereceram particular atenção.

Começam a ser demasiado repetitivas as “palavras de ordem” sobre as assimetrias entre litoral e interior e os “chavões” sobre a necessidade de contrariar as tendências centrífugas de litoralização do país. Contudo, aguarda-se com expetativa as medidas que vão ser anunciadas pela Unidade de Missão para a Valorização do Interior, criada pelo atual Governo com o objetivo prioritário de afirmação do “interior” como um aspeto central do desenvolvimento económico e da coesão territorial. Entre os seus objetivos, ressaltam a promoção uma nova abordagem de valorização dos recursos e do território, enquanto fatores de desenvolvimento e de competitividade e a promoção da atração e de fixação de pessoas para estas regiões.

É consensual que, na era da economia do conhecimento, as regiões se tornam competitivas se possibilitarem a atração de trabalhadores do conhecimento, que o criem e apliquem no desenvolvimento de atividades, que promovam o crescimento económico e gerem níveis de vida padronizados para os cidadãos.

Neste domínio, as cidades e as regiões que acolhem instituições de ensino superior devem criar condições para estimular o seu papel interventivo no desenvolvimento económico e social, num contexto da economia e sociedade baseadas no conhecimento.

Como tal, devem acarinhar e criar condições para a criação de plataformas de investigação, de desenvolvimento e inovação, bem como de transferência de conhecimento. A título de exemplo, refira-se a instalação da Plataforma de Inovação do Vinho e da Vinha no Regia-Douro Park apresentada no passado mês de julho ao Presidente da República. Na altura, o Presidente questionou o motivo pelo qual, em Portugal, estas coisas demoram tanto tempo a acontecer.

As cidades e as regiões que não apostarem na inovação, na conetividade física e virtual, na atratividade e na criação de uma marca diferenciadora, que mantenham uma atitude passiva e de reatividade, serão desinteressantes para o investimento privado.

O caminho de sucesso convoca as cidades situadas nestes territórios para uma leitura das tendências e a identificação dos desafios respetivos, bem como para delinear estratégias em rede para atrair talentos.

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