Da outra margem: A Aposta no Conhecimento e no Emprego

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 Nos últimos dias o país tem vindo a assistir a um cenário dantesco pautado pelo drama dos incêndios e das marcas desoladoras que deixam nas populações e no território. No último artigo referi que os níveis elevados de precipitação da primavera atrasaram a época de fogos, mas a previsão de um verão longo e seco tornava expectável um ambiente favorável a fogos.

Mas, a última semana também foi marcada pela divulgação dos dados do emprego em Portugal e dos números finais das candidaturas ao ensino superior. As estatísticas do emprego divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística revelam que a taxa de desemprego foi de 10,8% no segundo trimestre, um valor inferior em 1,6% em relação ao trimestre anterior e 1,1% em comparação com o trimestre homólogo de 2015, o valor mais baixo desde 2011. Estes resultados devem-se ao aumento do emprego no setor agrário e do turismo.

A promoção que tem vindo a ser efetuada no exterior e a diversificação da oferta turística muito têm contribuído para este cenário. No caso da agricultura, estes resultados estão em consonância com as projeções sobre o mercado de trabalho na União Europeia até 2025 divulgadas no início deste ano. Estes dados consideram que 26% das oportunidades de emprego em Portugal vão incidir na agricultura. Adicionalmente, relembro que nos últimos anos Portugal tem mostrado bons resultados neste domínio. Em termos de valor, alcançou cerca de 80% de autossuficiência alimentar no ano passado, o que resulta do aparecimento de uma nova classe empreendedora com competências e formação, de dimensão internacional, que tem apostado na qualidade, na diferenciação e em práticas de sustentabilidade ambiental. Estes resultados sugerem que o equilíbrio agroalimentar em 2020 possa ser uma meta claramente possível!

No domínio do acesso ao ensino superior, os resultados publicados pela Direção Geral do Ensino Superior revelam que ocorreram 49 655 candidaturas, o que significa um aumento de 1 349 em relação ao ano passado. Esta informação comprova que a aposta na qualificação superior é a melhor opção para uma inserção mais rápida no mercado de trabalho, sendo consensual que os jovens diplomados demoram menos tempo a conseguir emprego.

O combate ao desemprego, em particular dos jovens é um dos principais desafios que marca a agenda dos países europeus, sendo a aposta na formação determinante. No entanto, estes resultados por si só, não garantem o cumprimento do objetivo de Portugal alcançar a meta de 40% de diplomados da população em 2020. Esta meta passa também pela redução do abandono e do insucesso escolar, bem como pela criação de condições que evitem a saída dos jovens mais qualificados para o estrangeiro.

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