Crise no CHTMAD: em causa a direcção clínica

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Há problemas em diversos hospitais a nível nacional, mas a situação que se vive em Vila Real é a mais difícil. Palavras de Miguel Guimarães, o Presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos, no debate ocorrido no dia 14 de Novembro, segunda-feira, no auditório do Teatro Municipal de Vila Real, organizado pela Secção Regional Norte da Ordem dos Enfermeiros.

O clínico afirmou ter “uma ideia sobre o que se passa em Vila Real”, e que vai ser aberto um inquérito para pôr a limpo os problemas que estiveram na origem da demissão dos cinco Adjuntos da Direcção Clínica, conforme o Notícias de Vila Real informou anteriormente. O Director Clínico é uma peça fundamental no funcionamento dos hospitais, por isso não devia ser nomeado pelos Governos, mas sim pelos seus pares, nem devia fazer parte dos Conselhos de Administração, dado que os Conselhos de Administração cumprem ordens do Ministério da Saúde, enquanto os médicos devem atender aos cuidados a prestar aos utentes, sem atender à cor política dos Governos. Esta e outras afirmações foram corroboradas por diversos médicos e enfermeiros presentes no debate, sendo de destacar o representante da Ordem dos Enfermeiros, João Paulo que a dado passo disse que existem e foram denunciados problemas há um ano no hospital de Vila Real e, decorrido este tempo, nada foi feito. Enunciou vários problemas detectados, designadamente no hospital de Chaves.

Interveio também a Dra Margarida Trigo, que recentemente se demitiu da Direcção do serviço de anestesiologia, centrando as suas declarações nos problemas existentes no hospital de Vila Real e nas suas causas. Interrogou-se sobre as razões pelas quais uma médica anestesiologista que queria vir para Vila Real com concurso, acabou por ser contratada directamente pelo Hospital de S. João, sem concurso, coisa que o de Vila Real não está autorizado a fazer.

A clínica firmou ainda que os “ os serviços não podem funcionar com bandos de médicos que vêm cá trabalhar à hora.”

Criticou ainda a nomeação de médicos assistentes hospitalares para adjuntos da Direcção Clínica como aconteceu em Vila Real para colmatar as demissões anteriores, dizendo que aqueles que se demitiram algumas razões terão, pois se trata dos melhores, daqueles que durante anos e anos vestiram a camisola pelo hospital de Vila Real. Para terminar dizendo que “as soluções não podem resolver-se sem ter em consideração os médicos da casa e recorrer a médicos que caem aqui de para-quedas”.

Foi criticada por vários intervenientes a ausência do poder político e do Conselho de Administração do Centro Hospitalar.

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