A obra de Nadir Afonso encontrou um “prodigioso” museu

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A inauguração está marcada para segunda-feira em Chaves, com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa. O museu quer resgatar o pintor Nadir Afonso do “lugar obscuro que a história da arte lhe dedica”.

Bernardo Pinto de Almeida não tem dúvidas de que o novo Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA), em Chaves, “poderia perfeitamente estar em Nova Iorque ou São Paulo, como em Lisboa ou no Porto”.

Responsável pela primeira exposição do museu, o professor catedrático da Faculdade de Belas Artes do Porto afirma que, em termos de arquitetura, o MACNA “compete perfeitamente com o novo museu da EDP”, o MAAT, desenhado pela arquiteta britânica Amanda Levete, com abertura prevista para outubro, em Lisboa. “Só não temos o mesmo orçamento e os mesmos meios de promoção”, remata.

“O edifício do museu, projectado por Álvaro Siza Vieira, “é uma obra prodigiosa”, qualifica Bernardo Pinto de Almeida.”
Com edifício projetado por Álvaro Siza Vieira, situa-se na margem direita do rio Tâmega, no lugar de Longras, e custou 10 milhões de euros, pagos pela Câmara Municipal de Chaves e por fundos europeus, segundo Carlos França, chefe do departamento de Cultura da autarquia.

A obra deveria ter começado em 2002, ano em que o projeto foi entregue, mas só agora ficou pronta devido a atrasos burocráticos no licenciamento e nas certificações.

O museu situa-se em zona de reserva agrícola e leito de cheias, pelo que precisou de autorização do governo. O lote de terreno tem cerca de 16 mil metros quadrados, dos quais o museu propriamente dito ocupa 2,7 mil metros quadrados.

Muros em betão branco, cobertura ajardinada, soalho de madeira nos pavimentos, gesso nas paredes e tetos, pavimentos exteriores em granito. “É uma obra prodigiosa”, qualifica Bernardo Pinto de Almeida.

Siza Vieira refere na memória descritiva do projeto que “não é de excluir o risco de uma cheia excecional”. Para o evitar, o edifício foi elevado em cerca de três metros relativamente ao terreno.

Arquiteto e artista plástico, nasceu em Chaves em 1920 e morreu em Cascais em 2013. É uma “figura cimeira do modernismo português, mas não está suficientemente inscrito na história da arte portuguesa do século XX”, diz Bernardo Pinto de Almeida. Uma das missões do museu deve ser a de “evidenciar a imensa importância artística, cultural e histórica” da obra do artista, acrescenta.

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